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Entenda em sete passos o que está acontecendo no Iraque

13/06/2014 12:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02
Ahmed Saad/Reuters

Um grupo ligado à Al Qaeda e apoiado por grupos sunitas e militantes islâmicos tomou controle de uma grande área no norte do Iraque depois de ter tomado boa parte do nordeste da Síria com o objetivo de estabelecer um estado islâmico entre os dois países. A situação está mudando rapidamente, mas algumas tendências e explicações permanecem:

- O que está acontecendo agora?

O grupo, Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), está se aproveitando de dois fatores: o descontentamento crescente entre a minoria sunita em relação ao governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, acusado de discriminação, e a dimensão cada vez mais sectária da guerra civil síria, já que a maioria dos rebeldes sunita lutam para derrubar um regime dominado por membros de uma seita xiita. Tomando vantagem do colapso da autoridade do estado, os rebeldes conseguem cruzar a fronteira com facilidade. O território do Iraque recentemente tomado por militantes é habitado majoritariamente por sunitas, e muitos deles veem al-Maliki como uma ameaça maior que um estado islâmico. Também há sinais de que o estado islâmico é apoiado por antigas autoridades militares e membros do regime do ditador Saddam Hussein.

- O Iraque será um país dividido?

Os recentes acontecimentos renovaram a possibilidade muito discutida durante a guerra há uma década de que o Iraque pode ser dividido em três regiões separadas ou até mesmo nações: a parte predominantemente xiita, que engloba Bagdá e as partes sul e leste que fazem fronteira com o Irã; a área sunita, do lado ocidental do país e o norte; e uma zona curda, no norte e incluindo as cidades de Irbil e Kirkuk, que Saddam tentou popular com árabes.

- O que aconteceu com as forças de segurança do Iraque?

Corrupção e sectarismo são problemas islâmicos nas forças de segurança, com pouco profissionalismo ou lealdade ao governo de Bagdá. Os soldados sunitas tendem a servir em áreas sunitas como Mosul e Anbar, onde muitos deles detestam a ideia de lutar contra membros de sua própria seita muçulmana e a polícia é vulnerável a intimidações. Além disso, os militantes islâmicos cortaram a cabeça de um policial e divulgaram um vídeo mostrando o ataque.

- Como os rebeldes conseguiram se mover tão rápido?

O Estado Islâmico comanda entre 7.000 e 10.000 insurgentes, de acordo com a inteligência dos Estados Unidos, mas a estratégia militar do grupo ainda é um mistério. Na Síria, eles são bem abertos sobre sua ideologia e objetivos: impor a lei islâmica, banir música e executar pessoas na praça principal da Raqqa, que eles controlam. No Iraque, eles se descrevem como protetores da comunidade sunita do governo de al-Maliki.

- Qual é o papel dos curdos?

Os insurgentes curdos do norte estão mostrando sinais de ter um papel maior no combate ao Estado Islâmico. Seu papel é um potencial ponto de confronto porque tanto sunitas quanto árabes xiitas se preocupam com a reivindicação de território dos curdos.

- Qual é a posição do Irã?

O presidente do Irã já chamou o Estado Islâmico de “bárbaro” e seu ministro de Relações Exteriores ofereceu o apoio de seu país ao Iraque para “combater o terrorismo”. O Irã interrompeu os voos para Bagdá e está aumentando a segurança na fronteira. Como um país shiita, o Irã tem afinidade com o governo atual do Iraque e da Síria.

- Por que há nomes diferentes para o grupo?

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante é uma tradução literal. Também é chamado às vezes de outros nomes, incluindo Estado Islâmico de Iraque e Síria. O nome se refere ao objetivo declarado do grupo de restaurar um estado islâmico medieval no Iraque e na Síria, também conhecido como Levante, nomes tradicionais de uma região desde o sul da Turquia ao Egito.