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11/06/2014 21:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Greve do metrô em SP: metroviários decidem encerrar a paralisação e garantem trens na abertura da Copa

DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os metroviários de São Paulo decidiram pôr fim à greve da categoria em São Paulo. A decisão, oficializada em assembleia na noite desta quarta-feira (11), coloca um ponto final na paralisação que durou cinco dias, mas que estava suspensa nas últimas 48 horas. Com isso, o funcionamento de todas as linhas do metrô na capital paulista nesta quinta-feira (12), quando acontece a abertura da Copa do Mundo na Arena Corinthians, está garantido.

Os próprios líderes do Sindicato dos Metroviários pediram pelo fim da greve, na assembleia que começou por volta das 19h30, na sede da entidade, no Tatuapé (zona leste de São Paulo). Em declarações reproduzidas pelo jornal Folha de S. Paulo, o presidente Altino Prazeres garantiu que “a guerra não se encerrou”, mas o fim da paralisação se trata de um movimento estratégico, após a “vitória” obtida ao “parar a maior cidade da América Latina”.

“Que a gente saia daqui não com o rabo entre as pernas, mas temos que reconhecer a realidade da categoria. A guerra não se encerrou. Pelo contrário. Ganhamos as mentes e o sentimento da população. Vamos fortalecer a luta e ganhar a guerra com esse governador”, afirmou Prazeres. O presidente da Federação Nacional dos Metroviários, Paulo Pasin, seguiu na mesma linha.

“Não fazer a greve não é recuo, mas ato de inteligência para fortalecer a luta e enfraquecer o governo Alckmin. Manter a greve, francamente, vai dividir e colocar trabalhador contra trabalhador”, disse. Pasin ainda profetizou o que virá a seguir. “Nós vamos trazer os 42 demitidos ainda neste mês de Copa do Mundo. Se o Metrô ousar não atender, nós paramos São Paulo de novo”.

De acordo com a Folha, a votação pelo encerramento da paralisação foi quase unânime. O que ficou decidido também foi que haverá uma passeata, que sairá às 10h desta quinta-feira da sede do sindicato, em apoio aos demitidos.

A demissão de 42 funcionários pelo Metrô – todos por justa causa, segundo a empresa – causaram um grande abatimento no movimento. A decisão do Tribunal Regional de Justiça (TRT) em aplicar uma multa de R$ 900 mil, em virtude da greve ter sido considerada abusiva e a ordem de volta ao trabalho ter sido desrespeitada, também impôs um cenário pouco otimista para os grevistas.

Uma última tentativa de reintegração dos demitidos, ocorrida na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT) na tarde desta quarta-feira, também não foi bem sucedida para o Sindicato dos Metroviários. A empresa voltou a se negar a recontratar os demitidos, mas levará à direção a sugestão do MPT “que as demissões fossem discutidas caso a caso com a apresentação das provas das faltas graves, que motivaram as dispensas, propiciando-se a apresentação de defesas e contraprovas”.

A recontratação dos 42 trabalhadores passa a ser a principal bandeira dos metroviários de São Paulo. Entretanto, o governador Geraldo Alckmin reafirmou que o País “está cansado de impunidade, hipocrisia e solidariedade seletiva”, dizendo que novas demissões não estão programadas, mas que ninguém seria readmitido no Metrô. Com o fim da greve, a chance de serem demitidos outros 38 trabalhadores que estavam sob investigação, conforme disse à Rádio Estadão o presidente do Metrô Luiz Antônio Carvalho Pacheco, diminuíram.

No âmbito salarial, eles obtiveram o reajuste salarial de 8,7%, sugerido pelo Metrô nas várias negociações com a categoria, ante os 12,2% pedidos pelo sindicato.