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11/06/2014 10:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Copa do Mundo 2014: é melhor disputarmos uma Copa em casa?

AFP

O Brasil dá início a sua Copa do Mundo nesta quinta-feira, 12 de junho, quando enfrenta a Croácia na partida inaugural em São Paulo. Durante um mês, o país vai jogar sério - muito sério mesmo - no plano social, onde a menor manifestação será analisada e comentada, mas sobretudo no plano esportivo, em que a Seleção, favorita na competição, não tem opção além de ganhar esse Mundial em casa. Qualquer outro resultado seria uma catástrofe nacional. Essa pressão poderia acabar prejudicando o Brasil? Ele teria na verdade tudo a perder? E o fato de disputar o campeonato em casa é uma vantagem, afinal?

Jogar em casa não é obrigatoriamente vantagem

Se examinarmos as estatísticas, jogar em casa não é obrigatoriamente uma vantagem. Em 19 Copas do Mundo, só seis países levaram o Mundial em casa: Uruguai em 1930, Itália em 1938, Inglaterra em 1966, Alemanha Ocidental em 1974, Argentina em 1978 e França em 1998. Se excluirmos os "pequenos" países organizadores (Suíça em 1954, Chile em 1962, México em 1970 e 1986, Estados Unidos em 1994, Coreia do Sul e Japão em 2002 e África do Sul em 2010), restam seis grandes países anfitriões que não chegaram ao fim: França em 1938, Brasil em 1950, Suécia em 1958, Espanha em 1982, Itália em 1990 e Alemanha em 2006.

Só a França, portanto, ganhou a "sua" Copa nos últimos 30 anos. Uma vitória sob medida, graças à explosão da geração 98 ( Zidane, Lizarazu, Pirès, Henry e cia.), o formidável ímpeto popular que nasceu no país depois da fase de amistosos e o confortável e tranquilizador casulo de Clairefontaine entre os jogos - tudo ligado a um pouco de sorte durante a fase eliminatória. Ao contrário, no Brasil, mesmo antes do início da competição, o contexto era longe de ser cor-de-rosa: manifestações de movimentos sociais, estádios terminados no último instante...

Existe, porém, uma estatística que deveria tranquilizar o povo brasileiro: de sete Copas do Mundo organizadas em solo americano, nenhuma ainda foi vencida por um país europeu.

É preciso um pouco de sorte

Se algumas competições foram dominadas, de cabo a rabo, pelo vencedor (Brasil em 2002, Espanha em 2010), outros campeões do mundo passaram perto de voltar de mãos vazias. O percurso francês de 1998 é sem dúvida o melhor exemplo.

Se a vitória final magistral contra o Brasil (3 a 0) permitiu tudo apagar em poucos segundos, devemos lembrar que os franceses passaram por apuros nos três jogos anteriores: gol de ouro no final da prorrogação contra o Paraguai nas oitavas, disputa de pênaltis irrespirável contra a Itália nas quartas e gol letal da Croácia após o intervalo do jogo, antes dos dois gols improváveis de Lilian Thuram na sequência, na semifinal.

Lembraremos também que a "loteria" de pênaltis aconteceu duas vezes na final nos últimos 20 anos, o que não é nada: o Brasil venceu a Itália em 1994 (3 a 2, depois de empate em 0 a 0 - ver o primeiro vídeo abaixo), e a Itália bateu a França em 2006 (5 a 3, depois de empate em 1 a 1 - ver o segundo vídeo abaixo).

O fantasma traumático de 1950

Antes de 2014, o Brasil sediou uma vez a Copa do Mundo, em 1950, mas não teve sucesso. Desde então, todo o país transmite, de geração em geração, essa lembrança dolorosa, um cataclismo na época.

16 de julho de 1950, 15h. O Maracanã está superlotado - 173.850 espectadores - para essa última partida da Copa, que não é uma final, mas o encontro decisivo de uma fase final com quatro times. O ganhador do jogo será o campeão do mundo, mas para o Brasil basta um empate em 0 a 0 para se consagrar. Tudo corre bem quando a equipe local abre o placar logo depois do intervalo. Mas o empate uruguaio vem aos 21 minutos do segundo tempo, e um segundo gol acontece, para estupor geral, 13 minutos mais tarde, após um erro do goleiro brasileiro, Barbosa.

Ao apito final, incompreensão, vergonha e raiva dominam o estádio. O país mergulha em uma depressão generalizada após essa "final" perdida. O índice de suicídios vai aumentar muito durante o ano de 1950 e o goleiro que tomou o último gol, embora fosse um dos melhores na época, será considerado um pária até sua morte, em 2000.

Um grupo nada fácil

Se os brasileiros continuam sendo os grandes favoritos nas casas de apostas, com um prêmio de 3,6 contra 1 em média, é preciso ter atenção para a primeira emboscada que os aguarda. A Croácia, conduzida por Modric, do Real Madrid, e Mandzukic, do Bayern, tem um time combativo, que sonha em estragar a festa no jogo inicial em São Paulo.

Também é preciso ter atenção com o México - a equipe já participou de 15 Copas -, que possui jogadores que não desistem facilmente de seus objetivos e que já castigaram a França em 2010, na África do Sul (venceu por 2 a 0).

Por fim, a seleção de Camarões, apresentada como a adversária mais fraca do grupo, mas que arrancou um empate com a Alemanha, uma das favoritas no Mundial, por 2 a 2, em 1º de junho, em uma partida preparatória.