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10/06/2014 09:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Angelina Jolie e William Hague fazem reunião mundial para acabar com o estupro em zonas de guerra

Stefan Rousseau/AP

A atriz Angelina Jolie e o secretário britânico de Relações Exteriores, William Hague, prometeram nesta terça-feira (10) ações práticas na primeira reunião mundial para acabar com a violência sexual contra as mulheres em conflitos, punir os responsáveis e ajudar as vítimas.

Hague classificou o estupro em zonas de guerra como "um dos maiores crimes em massa dos últimos dois séculos". Jolie disse que queria dedicar a conferência a uma vítima de estupro que ela e Hague recentemente entrevistaram na Bósnia, que disse a eles que se sentia tão humilhada que não conseguia contar à filha sobre o que houve.

"Ela sentiu que, sem ter justiça para seu crime, em sua situação específica, e tendo que ver o homem que a estuprou livre na rua, ela se sentiu realmente abandonada pelo mundo", disse Jolie. "Este dia é para ela".

Cerca de 1.200 ministros governamentais, militares, autoridades judiciais e ativistas de aproximadamente 150 países vão participar da reunião de 10 a 13 de junho que pede ações para proteger mulheres, crianças e homens de estupro e ataques sexuais em zonas de guerra.

Hague e Jolie, enviada especial do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), disseram que a conferência é o resultado de dois anos de trabalho e que eles querem ações concretas para capturar e punir os responsáveis por esses crimes e dar suporte às vítimas.

"Tem sido um longo caminho até aqui", disse Jolie, ganhadora do Oscar, à multidão de imprensa enquanto chegava ao centro ExCel, nas docas de Londres.

Hague disse que o encontro, que terá a participação do Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, pressionará por padrões internacionais no registro e investigação de crimes como o estupro.

A recente série de casos chocantes de violência contra a mulher, incluindo o sequestro de 200 garotas nigerianas, o apedrejamento até a morte de uma mulher grávida no Paquistão e o estupro coletivo e assassinato de duas adolescentes indianas devem aumentar a pressão sobre a comunidade internacional por ação, mais que apenas promessas.

Na quarta-feira, a reunião deve chegar a um acordo sobre o primeiro protocolo internacional para documentar e investigar violência sexual em conflitos. No dia seguinte haverá uma reunião ministerial sobre segurança na Nigéria e as garotas desaparecidas.

(Com AP e Reuters)