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09/06/2014 07:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Greve do metrô em SP: quinto dia de paralisação começa com confronto entre PM e manifestantes

Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo

O quinto dia da greve dos metroviários em São Paulo começou com forte confronto entre policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar e manifestantes favoráveis à paralisação do Metrô na capital. Apesar da decisão deste domingo (9), que considerou o movimento abusivo, os trabalhadores decidiram em assembleia não voltar ao trabalho. A situação impõe mais um dia de dificuldade ao paulistano que tenta chegar ao trabalho.

Toda a confusão aconteceu na Estação Ana Rosa do metrô, por volta das 6h. Como já havia acontecido na última sexta-feira (6), a Tropa de Choque foi deslocada para dispersar piquetes que se formaram na entrada da estação. Segundo a PM, houve resistência dos manifestantes em liberar o local e bombas de efeito moral foram usadas, ainda na parte de dentro. Segundo o Movimento Passe Livre, 80 metroviários estavam no local.

Além dos metroviários, outros coletivos como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e o próprio Movimento Passe Livre participavam dos piquetes na Ana Rosa. Os manifestantes seguiam concentrados do lado de fora quando, mais uma vez, a Tropa de Choque avançou sobre o grupo maior, que mais uma vez correu pela Rua Vergueiro, se dispersando em grupos menores. Na confusão, alguns carros foram danificados.

O Corpo de Bombeiros foi chamado para apagar o fogo de algumas barricadas feitas pelos manifestantes.

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De acordo com o jornal SP TV, da TV Globo, 13 pessoas foram detidas na parte de dentro da Estação Ana Rosa, que começou a operar por volta de 7h45 desta segunda-feira. De acordo com o major Cabañas, responsável pela operação, essas pessoas não estavam presas, mas seriam levadas para o 36º Distrito Policial, para "averiguação".

Do outro lado, o MTST voltou a manifestar apoio ao Sindicato dos Metroviários e informou que seguirá para o centro de São Paulo, pretendendo ocupar a região das secretarias de Transportes e da Segurança Pública ao longo da manhã.

Por volta das 8h30, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que 60 trabalhadores foram demitidos por justa causa. Em entrevista à Rádio Estadão, Fernandes ainda explicou que a medida se deve a atos de vandalismo de integrantes do movimento grevista. O secretário ainda se mostrou "satisfeito" no retorno gradual de trabalhadores, que já chegaria a 25% do total do corpo efetivo do Metrô. Aos que ainda não retornaram, a possibilidade de demissão segue em aberto, conforme completou Fernandes.

Do lado dos metroviários, o presidente do sindicato, Altino Melo dos Prazeres, classificou como inadmissível a atitude do secretário. "Em vez de diminuir o problema, ele está inflamando a categoria. Se continuarem as demissões, a greve continua", disse. Ele afirmou ainda que as demissões foram "uma fonte de intimidação do Estado para mostrar que vai prender" e que "o governo precisa dar algum sinal de que quer negociar". "Até agora, o único sinal que eu vi foi bomba", comentou. Há uma nova assembleia marcada para o início da tarde desta segunda-feira para discutir os rumos da paralisação.

Linhas 1, 2 e 3 operam parcialmente nesta segunda-feira

Como já aconteceu nos demais dias da paralisação dos metroviários, as Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha operam parcialmente em São Paulo. A situação por volta das 7h30 desta segunda-feira era a seguinte:

Já a Linha 4-Amarela, a Linha 5-Lilás e as linhas da CPTM funcionam normalmente. O rodízio de veículos na capital paulista segue suspenso, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Alckmin ameaça grevistas de demissão

Ainda no domingo, o governador Geraldo Alckmin fez uma convocação para que os grevistas voltem ao trabalho, sob pena de demissão por justa causa caso mantenham a greve. Alckmin disse que o governo terá medidas austeras e afirmou que iria acionar a polícia para assegurar a segurança dos usuários nesta segunda-feira.

“Quero fazer uma convocação: que os metroviários voltem imediatamente a trabalhar. Porque a greve é abusiva. Não tem mais o que discutir. Decisão judicial se cumpre”, disse o governador depois de participar de uma reunião de emergência para discutir com o secretário estadual de Transportes, Jurandir Fernandes, medidas de contingência à paralisação.

“Aliás, quero deixar claro que quem não for trabalhar incorre em possibilidade de demissão por justa causa”, completou.

O tucano atribuiu a greve a um "grupo radical" do sindicato e criticou a participação de outros movimentos à paralisação dos metroviários. Alckmin se referia ao Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e ao Movimento Passe Livre(MPL), que pretendem organizar atos alinhados aos dos grevistas. O sindicato dos metroviários é filiado à Central Sindical Popular (CSP-Conlutas), ligada a setores do PSOL e do PSTU.

“A greve é mantida por um grupo pequeno de radicais. E está cheio de outros grupos que não têm nada a ver com os metroviários. Estão se aproveitando de uma situação”, afirmou Alckmin. “Não vão subjugar nem o metrô e nem desrespeitar a decisão judicial”.

Auxiliares do governador afirmam que a manutenção da greve reforça tese sobre ter motivação política. Para o governo, a meta é impedir que a paralisação dos metroviários prejudique o funcionamento do metrô na semana de abertura da Copa do Mundo. Caso o movimento continue, a estratégia do governo será reforçar o regime de trabalho instalado na semana passada, quando três das cinco linhas operaram parcialmente.

O jornal Estado de S. Paulo apurou que os metroviários que exercem funções burocráticas seriam usados para vender passagens e dirigir os trens da linha 3-Vermelha, que liga o centro da cidade à Arena Corinthians no dia do jogo do Brasil contra a Croácia.

Antes de saber da decisão dos grevistas de manter a paralisação considerada abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Alckmin havia afirmado que não havia chance de a greve continuar. Para ele, já era "um absurdo verdadeiro" o descumprimento da liminar condedida pela desembargadora Rilma Aparecida Hemérito, que determinava a manutenção de 100% de funcionamento do metrô nos horários de pico e 70% nos demais horários.

Questionado se após a decisão do TRT, ainda haverá negociação com a categoria, Alckmin ponderou que "sempre existe o diálogo, agora tudo tem um limite". “No fundo foi um prejuízo para a população que ficou sacrificada, porque o metrô responde por quase 4,8 milhões de passageiros/dia”, finalizou o governador.

(Com Estadão Conteúdo)