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06/06/2014 14:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Greve do metrô: governo ameaça metroviários com demissões; julgamento pode acontecer amanhã

MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O governo do Estado de São Paulo espera que um posicionamento da Justiça do Trabalho possa pôr fim à greve dos metroviários, que completa o seu segundo dia nesta sexta-feira (6). Sem acordo na mais recente reunião conciliatória, ocorrida na tarde desta quinta-feira (5), a paralisação segue por tempo indeterminado e continua causando muitos transtornos à população. Uma nova rodada de negociação vai acontecer na tarde desta sexta-feira.

Durante a manhã, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse que o Estado enviaria uma petição ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ainda na tarde desta sexta-feira, solicitando que o Judiciário decrete a greve ilegal. Entretanto, em contato com a reportagem do Brasil Post, a assessoria do TRT disse que dificilmente o caso, julgando especificamente esse tema, seria analisado ainda hoje.

Após às 17h – quando termina o prazo para os metroviários apresentarem os seus argumentos –, os magistrados do TRT devem apenas definir a data e horário do julgamento do dissídio e da legalidade da paralisação da categoria. Isso se o encontro de conciliação não definir um acordo. Em razão do esquema especial de plantão montado para a Copa do Mundo, é provável que ainda no sábado (7) o TRT defina o assunto, se necessário.

Se considerada ilegal pela Justiça, a paralisação e sua manutenção pelos trabalhadores vai permitir que o Metrô pressione-os a voltar ao trabalho, sob pena de demissão por justa causa. Para Fernandes, é preciso agilidade e cumprimento da decisão quando ela sair. “O que a Justiça vai definir, não temos certeza. Mas o que vier, é para cumprir. Imediatamente, terão de cumprir. Se não vierem, pode começar a emitir demissões”, comentou.

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Paralelamente, o governo enviou na manhã desta sexta-feira 220 telegramas para pressionar condutores de trens a comparecerem no turno das 14h. Outras 220 cartas serão enviadas para os funcionários que trabalham à noite. “Isso serve como documento comprobatório para depois não alegarem ignorância”, informou Fernandes.

Do lado do Sindicato dos Metroviários, uma nova assembleia estava marcada para as 17h desta sexta-feira, na sede da entidade, no Tatuapé, zona leste da capital. Antes disso, os metroviários se concentrarão na Estação Tatuapé, às 16h, e seguirão em passeata pela Radial Leste até o sindicato. Em razão da nova rodada de negociações, o início da assembleia deve atrasar. O presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres, reafirmou a proposta de voltar ao trabalho, caso o governo aceite a liberação das catracas – o que voltou a ser descartado por Fernandes.

“O sindicato já fez diversas concessões nesta campanha salarial, inclusive com redução do índice de reajuste (de 16% para 12,2%) e disposição de trabalhar um dia sem receber para que a população tivesse acesso ao transporte através da catraca livre. Mas o governador (Geraldo Alckmin) se mantém intransigente e fechado a qualquer negociação. Por isso, a greve vai continuar”.

O governo paulista ofereceu 8,7% de aumento salarial, mais benefícios, e disse não poder ultrapassar essa oferta. Os metroviários recusaram o índice e não houve acordo. Anteriormente, o TRT sugeriu um aumento de 9,5% para o fim da greve, mas novamente as partes não concordaram.

Agressão na Estação Ana Rosa

Jurandir Fernandes comentou a ação da PM na manhã desta sexta-feira na Estação Ana Rosa, quando policiais agrediram os grevistas com bombas de gás e balas de borracha. Ele disse que manteve contato com o governador Geraldo Alckmin e o secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, para pedir reforço policial.

“Eu tinha exposto ao governador que havia risco hoje de situação de radicalização. Nas primeiras horas, recebi as informações de que eles ocupavam duas estações. O governador foi muito tranquilo e pediu de energia, dentro da lei”.

A Estação Ana Rosa é estratégica, uma vez que é de lá que os funcionários partem para as demais estações. Se os piquetes impedissem o acesso dos funcionários, a operação ficaria ainda mais prejudicada do que já está.

Fernandes afirmou ainda que espera transportar 3 milhões de passageiros nesta sexta. Nesta quinta-feira, com metade das estações abertas, o Metrô transportou 1,8 milhão de pessoas, segundo Fernandes. Em dias comuns, são 4,5 milhões de usuários.

Muito trânsito e operação complicada nas Linhas 1, 2 e 3 do metrô

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que, às 14h, havia mais de 130 km de vias congestionadas na capital paulista, que está pelo segundo dia consecutivo com o rodízio de veículos suspenso. A situação era um pouco menos melhor do que pela manhã, quando a cidade registrou 251 km de congestionamentos - o maior da história.

A dificuldade enfrentada pelos veículos também se repete nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do metrô. As três operam parcialmente, com os trabalhos de condução dos trens e orientação dos usuários sendo feito majoritariamente por supervisores e trabalhadores da área administrativa, como já ocorreu na quinta-feira.

Já a Linha 4-Amarela opera normalmente. Os trens da CPTM também funcionam sem problemas, mas com restrições em algumas estações com as quais são feitas as integrações com o metrô. Segundo o G1, as restrições valem nas seguintes estações:

Palmeiras-Barra Funda entre a linha 3 - Vermelha e as linhas 7 Rubi e 8 - Diamante; Tatuapé linha 3 - Vermelha com a 11 - Coral e 12 - Safira; Corinthians - Itaquera linha 3- Vermelha com a 11 - Coral; e Tamanduateí linha 2 - Verde com a 10 - Turquesa.

(Com Estadão Conteúdo)