NOTÍCIAS
06/06/2014 08:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Greve de metrô continua em São Paulo, e Polícia Militar começa a agir

PAULO LOPES/AE

Duas linhas do metrô de São Paulo funcionam normalmente, enquantro outras três operam parcialmente na greve dos funcionários do metrô de São Paulo, que continua nesta sexta-feira (06), dia em que a seleção brasileira fará um amistoso de preparação para o Mundial contra a Sérvia na cidade. Na estação Ana Rosa, houve conflito entre a Polícia Militar e sindicalistas, e alguns metroviários ficaram feridos. Imagens de televisão mostraram os policiais avançando com cassetetes contra os grevistas, que recuaram.

Segundo o Twitter do metrô de São Paulo, as linhas 4 - Amarela e 5 - Lilás funcionam normalmente, enquanto as outras estão operando de forma parcial. Até as 7h30, a linha Azul funcionava apenas entre a estação Paraíso e Luz, enquanto a Vermelha da estação Bresser a Sta. Cecília e a Verde do Paraíso até Clínicas. A estação Ana Rosa, que foi fechada devido aos conflitos, foi reaberta às 8h30. Por volta das 09h30, as estações Vila Madalena e Sumaré foram abertas. Confira abaixo a situação no momento:

Já os trens da CPTM funcionam normalmente. Na quinta-feira, a CPTM informou que a estação Corinthians-Itaquera da Linha 11 da CPTM ficaria fechada em razão da segurança dos usuários, já que as plataformas não comportam a demanda conjunta do movimento de pessoas que utilizam CPTM e Metrô. No entanto, nesta sext a estação permanece aberta, apenas a transferência para o Metrô no local permanece fechada. No começo da manhã desta sexta-feira, a cidade já enfrentava 113 km de lentidão nas vias monitoradas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 9h, o congestionamento bateu recorde pelo segundo dia consecutivo:

No início da manhã, houve confronto entre policiais e grevistas na estação Ana Rosa, que serve as linhas Azul e Verde. Tropas de choque da Polícia Militar lançaram bombas de gás e balas de borracha para dispersar os manifestantes, que tentavam impedir a abertura da estação. "Chegamos às 3h30 para fazer um piquete e acabamos surpreendidos quando já estávamos de saída do metrô, ainda lá embaixo, com a entrada da tropa de choque, que nos atacou em ambiente fechado”, disse à Folha de S. Paulo o metroviário José Carlos dos Santos, 54, que foi atingido por estilhaços de bomba. O capitão da PM, Snay Nanni, confirmou ao jornal o ataque, dizendo que "o interesse público deveria prevalecer aos interesses da categoria" e que a PM só agiu para garantir que a população tenha metrô. Um vídeo da Mídia Ninja mostra o momento de confronto:

Os grevistas tentaram também bloquear a entrada dos funcionários em estações das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. O objetivo era impedir o plano de contingência do Metrô, que desloca funcionários de outras áreas para operar trens e estações. Os metroviários vão fazer um ato de protesto, às 16 horas, na Estação Tatuapé, com possibilidade de fechar a Radial Leste. "Há risco de a greve continuar (até a Copa), se o governador não negociar", afirma Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato.

Sem acordo, sem metrô

Uma reunião entre representantes do Metrô e do sindicato terminou sem acordo e, em assembleia realizada no início da noite, os metroviários decidiram manter a paralisação. "A greve continua. O governo estadual não mudou suas propostas e os metroviários continuarão em greve. O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) julgará a greve no sábado", informou o Sindicato dos Metroviários em nota publicado em seu site.

O sindicato disse que os trabalhadores aceitam trabalhar normalmente, desde que as catacras sejam liberadas e a população não pague pela passagem. Os grevistas reivindicam reajuste salarial de dois dígitos e um novo plano de carreira.

O TRT havia determinado o funcionamento integral do metrô nos horários de pico e de 70 por cento do sistema nos demais horários, sob pena de 100 mil reais em multa diária. A decisão não foi cumprida.

Na tarde de sexta-feira, a seleção brasileira, que chegou à capital paulista no início da noite desta quinta, enfrentará a Sérvia no estádio do Morumbi, zona sul da cidade. Por causa do amistoso, a SPTransativa operações especiais no sistema de transporte coletivo. Confira aqui o que muda nas linhas de ônibus.

A paralisação, inciada nesta quinta-feira, complicou a movimentação na capital paulista, com registro de grandes congestionamentos e incidentes violentos na estação Corinhians-Itaquera, próxima à Arena Corinthians, que em uma semana vai ser o palco da abertura da Copa do Mundo.

Na estação, principal via de acesso de torcedores à Arena Corinthians, houve tumulto e grades que bloqueavam a entrada ao sistema de trens de São Paulo, que funciona normalmente, foram derrubadas. Em Brasília, a presidente Dilma Rousseff classificou de "lamentável" as reações violentas à paralisação dos serviços de metrô em São Paulo.

Em entrevista coletiva em um hotel da zona sul de São Paulo, o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, preferiu não responder sobre os efeitos de uma eventual paralisação no dia de abertura da Copa, dia 12 de junho, com a partida entre Brasil e Croácia.

Ele repassou a pergunta ao ministro do Esporte, Aldo Rebelo, que também estava presente. Aldo limitou-se a dizer que o governo federal, junto com Estados e municípios, realizou “planos operacionais” para cada área do Mundial, sem especificar o que poderá ser feito em caso de greve nos dias de jogos.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)