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06/06/2014 17:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Eleições: apoio do PSB de SP a Alckmin cria primeiro grande desafio à chapa Campos e Marina

TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Quando oficializada, em outubro do ano passado, a chapa presidencial entre Eduardo Campos e Marina Silva parecia possuir grande potencial na disputa pelo Palácio do Planalto, nas eleições deste ano. Entretanto, a confluência de interesses eventualmente apresentaria embates internos. O mais recente deles talvez seja o mais desafiador até aqui, e acontece justamente em São Paulo.

O diretório paulista do PSB, partido cujo presidente é Campos e ao qual Marina se filiou – após naufragar o registro da Rede Sustentabilidade –, definiu por unanimidade o indicativo de coligação com o PSDB nas eleições para o governo paulista. A sigla vai além: quer colocar o presidente do partido no Estado, Márcio França, como vice do atual governador, o tucano Geraldo Alckmin.

Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, Campos já teria avisado Marina de que não iria interferir no posicionamento do diretório paulista do PSB. Isso significa dizer que ele estaria atrelado a Alckmin, algo no mínimo curioso para um candidato que prega “mudança” e “uma nova política no Brasil”, mas que acabaria aceitando uma parceria com o partido que comanda São Paulo há 20 anos, de maneira ininterrupta.

Representando a Rede na reunião do PSB paulista, o ex-deputado Walter Feldman – que já integrou o PSDB – discordou da posição adotada pelo diretório, insistindo que o melhor caminho seria lançar candidatura própria, oferecendo assim uma “terceira via” contra Alckmin e o seu principal adversário nas eleições estaduais, o petista Alexandre Padilha. Foi voto vencido, mas não deixou de se posicionar mais uma vez em sua página no Facebook.

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Na noite desta sexta-feira (6), a Rede Sustentabilidade também se posicionou, sem esconder o descontentamento.

A atual discordância entre PSB e Rede em São Paulo se arrasta desde dezembro de 2013 e não é nenhuma novidade. Em conversa informal com a reportagem do Brasil Post, há um mês, uma pessoa próxima de Marina Silva já previa que as chances de uma candidatura própria em SP, fornecendo um palanque próprio a Campos e Marina, era bastante improvável, pois em nenhum momento se alcançou uma situação de acordo com os peesebistas paulistas.

“O cenário é muito ruim para o futuro da Marina, que vai ter que ficar se explicando a vida toda”, lamentou a fonte, que pediu para não ser identificada.

Eduardo Campos seguirá em São Paulo até a próxima terça-feira (10) para alguns compromissos e deve abordar o assunto em algum momento. De acordo com a Folha de S. Paulo, até mesmo o discurso conciliador com Alckmin e os tucanos – que no cenário presidencial apoiam o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – já estaria pronto.

Para uma candidatura que perdeu quatro pontos percentuais, segundo a mais recente pesquisa Datafolha, e que ainda busca se consolidar como a verdadeira mudança, em um Brasil cada vez mais polarizado entre PT e PSDB (e o PMDB gravitando ao lado de um ou outro), a aliança com Alckmin pode não ser exatamente a melhor ideia. É preciso lembrar que o posto de vice na chapa tucana parece mais próximo hoje do PSD, do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Na próxima semana deverá ser possível descobrir se a discussão em solo paulista é apenas uma marola ou pode se tornar um tsunami na chapa Campos-Marina.