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05/06/2014 18:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Greve do metrô em SP: metroviários diminuem pedida, mas acordo não sai e paralisação é mantida

MARCELO D. SANTS/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Terminou sem acordo a reunião entre o Sindicato dos Metroviários de São Paulo e representantes do Metrô, realizada na tarde desta quinta-feira (5) na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Por volta das 19h10, a manutenção da paralisação dos trabalhadores foi decidida em assembleia realizada pelo sindicato. Eles vão seguir de braços cruzados por tempo indeterminado.

Para o presidente do sindicato, Altino Prazeres, falta vontade do governo estadual para negociar com a categoria. “O governo precisa ter sensibilidade com os trabalhadores”, afirmou Prazeres após a assembleia. Horas antes, no encontro na sede do TRT, os metroviários aceitaram diminuir a pedida de reajuste salarial de 16% para 12,2%, assim como a redução na participação no Plano de Lucros e Resultados (PLR) de 1,5 salário para um salário, segundo informou o G1. Já o sindicato dos engenheiros, que também integra o movimento, pede um reajuste de 12,3% e um piso mínimo para a categoria.

Entretanto, o presidente do Metrô, Luiz Antônio Carvalho Pacheco, disse não poder aumentar a oferta já feita anteriormente, de reajuste de 8,7%. Ele ainda voltou a descartar a proposta dos metroviários de voltar ao trabalho, desde que as catracas das estações fossem liberadas para a população – a chamada catraca livre ou ‘catracaço’. “Propomos a catraca livre, inclusive com desconto do dia do trabalhador, para mostrar a nossa disposição de negociar e deixar que a população possa se locomover na cidade de São Paulo”, ressaltou Prazeres, ao comentar a proposta.

A sugestão, porém, foi rechaçada pelo Metrô.

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A assembleia do Sindicato dos Metroviários começou por volta das 18h. Nela, os trabalhadores seguiram a indicação que os líderes já davam, ainda no TRT, de que a paralisação iria continuar. Contudo, a categoria já sabe que a decisão da Justiça, que determina a operação de 100% das linhas nos horários de pico (das 6h às 9h e das 16h às 19h) e 70% nos demais horários – sob pena de multa diária de R$ 100 mil –, foi mantida.

Segundo o presidente do sindicato, os metroviários não estão dispostos a obedecer aos percentuais mínimos de funcionamento estabelecidos em decisão judicial. “Funcionar 100% no horário de pico é impossível, porque, na verdade, isso é acabar com a greve”, disse Prazeres sobre a liminar.

De acordo com a assessoria de imprensa do TRT, o descumprimento da determinação já neste primeiro dia de greve e a eventual ilegalidade da greve deve ser analisada pela Justiça nesta sexta-feira (6), segundo o jornal Folha de S. Paulo.

de acordo com o TRT, o Metrô ajuizou dois novos dissídios coletivos, um de greve e o outro econômico. Os trabalhadores têm 24 horas para se manifestarem, antes que seja marcada a sessão de julgamento pela Seção de Dissídios Coletivos, cujo presidente, desembargador Rafael Pugliese, será o relator do caso. Na ocasião, serão decididas as questões relacionadas à greve (abusividade e descontos) e econômicas (reajuste salarial e outros).

Assim como nesta quinta-feira, o rodízio de veículos está suspenso nesta sexta-feira na capital. Os trens da CPTM e a Linha 4-Amarela do metrô vão operar normalmente.

Linhas 1, 2 e 3 operam parcialmente

Por volta das 18h desta quinta-feira, 37 das 62 estações do metrô de São Paulo estavam abertas, segundo informou a companhia e a UOL.

Nenhum dos trens em operação parcial no metrô está sendo guiado por condutores acostumados com as composições. Só supervisores de estação e de operação estão guiando os trens. De acordo com Altino de Melo Prazeres Júnior, presidente do sindicato, cerca de 200 funcionários estão na operação. "Mas há um problema de segurança, porque os vigilantes também estão 100% paralisados. Segurança, hoje, só se o Metrô colocar a polícia lá dentro."

(Com Estadão Conteúdo)