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05/06/2014 14:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Crédito deixou de ser caro e escasso, diz Guido Mantega

EVARISTO SA via Getty Images
Brazilian Minister of Economy Guido Mantega is seen during the seminar New Brazil at the Lower House in Brasilia on April 29, 2014. Mantega meets today with Argentine Ministers of Economy Axel Kicillof and Industry Debora Giorgi to discuss about the automobile commerce crisis between these two countries. AFP PHOTO/Evaristo SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou, nesta quinta-feira, 5, um panorama da evolução do crédito no Brasil nos últimos anos, com destaque para a participação dos bancos públicos. Segundo ele, o País tinha uma tradição de crédito caro e escasso, mas esse cenário mudou nos últimos anos. "Até um passado recente não havia crédito para investimentos, e o pouco que existia vinha do BNDES. Havia pouco crédito para habitação, inacessível para a baixa renda, e o crédito para agricultura também era insuficiente", disse o ministro durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o chamado "Conselhão".

Apesar do cenário otimista, o ministro reconheceu que falta crédito para o consumo no País, embora os níveis de inadimplência atualmente estejam baixos. Para Mantega, o Brasil poderia ter uma taxa maior de expansão da economia se houvesse mais crédito para consumo. "Isso também estimularia os investimentos, porque eles são estimulados pelo crescimento do mercado consumidor." Ele avaliou, no entanto, que essa situação é passageira. "Quando houver recuperação do crédito para consumo, devemos ter melhoria no comércio, e, consequentemente, aumento nos investimentos", concluiu.

Para reforçar a ideia de que o crédito hoje não é mais escasso, o ministro destacou que o crédito no País como um todo representava entre 25% e 26% do Produto Interno Bruto (PIB) há dez anos, mas atualmente está em 55% do Produto Interno Bruto. "Se computarmos que o PIB cresceu a uma média de 3,5% nos últimos 11 anos, o crédito mais que duplicou em termos reais nesse período", completou. Mantega listou ainda o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro que, por meio de ações, debêntures e outros títulos, que são importantes para financiar as atividades das empresas. "Antes esse mercado praticamente inexistia, era muito modesto, mas nossa bolsa está entre as dez maiores do mundo em volume e investimentos", afirmou.

Ele admitiu ainda que o valor das empresas listadas na bolsa caiu durante a crise, mas avaliou que esse movimento é "natural e passageiro". Para ele, a entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil também é importante para financiar a expansão das companhias estrangeiras no País. "O ritmo de entrada de US$ 65 bilhões por ano em IED continua. A crise não afetou a vinda de investimentos externos diretos e o Brasil é tido como endereço importante para esses recursos que vêm para a produção", completou.

BNDES

Mantega defendeu a atuação e o tamanho do BNDES na concessão de crédito para o setor produtivo e para projetos de infraestrutura. "O BNDES é fundamental para o crescimento do País. Tem gente que critica o BNDES, que acha que ele não deveria existir ou ser muito menor, mas nós discordamos e achamos que o banco é fundamental para manter a taxa de crescimento do Brasil".

Segundo ele, há uma correlação direta entre o volume de financiamentos do banco de fomento e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no País. "O BNDES é responsável por pelo menos 50% dos investimentos em infraestrutura no Brasil", destacou. Ainda assim, Mantega ponderou que os bancos privados têm aumentado sua participação em projetos de infraestrutura de longo prazo.