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05/06/2014 09:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

China liberta três ativistas após aniversário de protestos de Tiananmen

ASSOCIATED PRESS
A Chinese man stands alone to block a line of tanks heading east on Beijing's Cangan Blvd. in Tiananmen Square on June 5, 1989. The man, calling for an end to the recent violence and bloodshed against pro-democracy demonstrators, was pulled away by bystanders, and the tanks continued on their way. The Chinese government crushed a student-led demonstration for democratic reform and against government corruption, killing hundreds, or perhaps thousands of demonstrators in the strongest anti-government protest since the 1949 revolution. Ironically, the name Tiananmen means "Gate of Heavenly Peace". (AP Photo/Jeff Widener)

A China libertou nesta quinta-feira três ativistas que estavam detidos havia um mês por comparecerem a um encontro para relembrar a repressão militar contra os protestos pró-democracia na Praça Tiananmen em 1989, disseram seus advogados.

Os ativistas foram libertados um dia após o aniversário de 25 anos da sangrenta repressão, relembrada por dezenas de milhares de pessoas em Hong Kong, mesmo após autoridades chinesas terem buscado suprimir o evento na China continental.

Dois ativistas ainda permanecem sob custódia.

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As detenções provocaram críticas dos Estados Unidos e da União Europeia, que pediram a libertação deles. A China apresentou novas e mais veementes objeções às reclamações dos EUA.

Para o dominante Partido Comunista, as manifestações que lotaram a Praça Tiananmen, em Pequim, e se espalharam para outras cidades permanecem um tabu. O governo nunca revelou o total de mortos, mas estimativas de grupos de direitos humanos e diversas testemunhas variam de centenas a vários milhares.

Os ativistas presos, Liu Di e Hu Shigen, ambos escritores dissidentes, e Xu Youyu, um pesquisador na Academia Chinesa de Ciências Sociais, um centro de pesquisas e análises do governo, foram libertados sob fiança, disseram seus advogados e um parente.

Eles foram detidos por “provocar tumulto” em relação ao encontro realizado em um apartamento privado.

Terrorismo

A China anunciou ter prendido 81 pessoas no que chamou de uma repressão contra terroristas na região de Xinjiang. O governo culpa extremistas muçulmanos de serem os responsáveis pelos recentes ataques fatais na região. Um jornal estatal do governo afirmou que as prisões foram autorizadas pelos procuradores na capital da região, Urumqi, antes de 31 de maio. A reportagem informou que as acusações incluem o incentivo ao separatismo, a organização de movimentos para perturbar a ordem social, a operação de negócios ilegais e a incitação ao ódio e à discriminação étnica. Não há nenhuma relação com os ataques recentes, mas o jornal descreveu o grupo como "violentos suspeitos de crimes terroristas".O governo de Pequim afirma que os ataques são feitos por extremistas religiosos relacionados com grupos terroristas islâmicos, mas há poucas evidências que sustentem essa teoria. Ativistas entre a população nativa turca uigur argumentam que o distúrbio é alimentado pelo ressentimento da maioria Han e de políticas de discriminação. A informação na questão de segurança é fortemente controlada na região de Xinjiang, e há poucos dados que podem ser obtidos de forma independente sobre os suspeitos ou sobre as acusações contra eles.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)