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04/06/2014 01:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Dilma Rousseff relembra prisão na ditadura para convencer "minoria" a torcer por boa Copa no Brasil

Lula Marques/Frame/Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff está confiante de que a Copa do Mundo no Brasil, que começa no próximo dia 12, será um sucesso. O discurso, ensaiado há meses, se manteve na mais recente entrevista dela ao jornal americano New York Times, publicada nesta terça-feira (3). Para convencer o que ela chama de “minoria” que torce contra o Mundial no País, Dilma relembrou o tempo em que esteve presa durante a ditadura militar.

Enquanto estava detida, a seleção brasileira buscava no México, em 1970, o tricampeonato mundial. Segundo a presidente, a questão gerava uma divisão de opiniões entre os presos políticos, mas não para ela. “Naquela época, muitos opositores do governo inicialmente questionaram se eles dariam força à ditadura se torcessem pela seleção. Eu não tive esse dilema”, comentou.

Ainda a respeito da ditadura, Dilma abordou a Lei da Anistia, além de tratar de política externa e o atual cenário econômico brasileiro. Confira os principais trechos.

LEI DA ANISTIA

Apesar do Superior Tribunal Federal (STF) ter descartado rever a Lei da Anistia, Dilma disse que continua sendo importante ao País saber a verdade. Entretanto, ela não assumiu garantias de que, em caso de reeleição em outubro, ela vá rever a legislação que anistiou eventuais criminosos dos Anos de Chumbo – muito embora essa possibilidade conste no programa de governo a ser lançado pelo PT em breve.

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“Eu não acredito em vingança, mas também não acredito em perdão. É uma questão de (saber a) verdade. É extremamente importante para o Brasil saber o que aconteceu, porque isso vai significar que algo parecido não vá acontecer novamente”.

ECONOMIA E PROTESTOS

Dilma disse ao NYT que o crescimento da renda da população criou novos desafios, refletidas nos protestos que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras nos últimos 12 meses. Ela reconheceu que algumas das demandas vindas do povo, como as reclamações em torno da falta de qualidade de serviços públicos como saúde e educação, são válidas.

“Os serviços cresceram menos do que a renda (...). A classe média tem mais desejos e mais demandas. Isso forma uma parte intrínseca do ser humano na sociedade em que vivemos. Ele obtém algo, mas quer mais, o que é muito bom”, analisou a presidente.

RELAÇÕES COM OS EUA

Estremecidas desde o escândalo de espionagem da Agência de Segurança dos EUA (NSA), as relações entre o governo brasileiro e americano serão retomadas “de onde pararam”, segundo Dilma. Ela pretende se encontra com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, neste mês, quando ele estará em solo brasileiro para acompanhar a partida entre a seleção americana e Gana.

Ela ainda disse que pretende remarcar a visita que faria ao presidente Barack Obama em setembro do ano passado, mas que acabou cancelada após o escândalo da NSA.

CUBA

Dilma voltou a falar em diplomacia e investimentos quando o assunto foi o restante das Américas Central e do Sul. Questionada sobre os investimentos feitos em Cuba – com as atualizações de mais de R$ 1 bilhão no porto cubano de Mariel –, a presidente brasileira disse não acreditar na eficácia de embargos econômicos como o americano.

Na visão de Dilma, para ajudar a economia cubana é preciso "mais forças econômicas, e não menos”.