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29/05/2014 14:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Tour da Taça: Rivelino lamenta falta do clima de Copa e critica declaração de Ronaldo

Daniel Vorley / Estadão Conteúdo

Rivelino e Ronaldo têm várias coisas em comum. Atuaram, com destaque, pela Seleção Brasileira, foram campeões de Copas do Mundo e compartilham a idolatria de uma das mais apaixonadas torcidas do futebol brasileiro, a corintiana.

Os ex-jogadores também possuem ligações com a Copa de 2014, cada um à sua maneira. Enquanto Rivelino é um dos mestres de cerimônia do Tour da Taça da Copa do Mundo, que rodou o mundo e chegou à São Paulo nesta quinta-feira (29), Ronaldo é membro do Comitê Organizador Local (COL) da Copa.

Durante o evento que marcou o primeiro dia do Tour da Taça em São Paulo, no Shopping Itaquera, Riva, como é chamado carinhosamente pelos torcedores, disse que o Brasil "perdeu o momento de mostrar sua cara, seu valor" ao chegar às vésperas da Copa com estádios inacabados e obras incompletas. Ainda assim, acredita que o País possa "fazer um grande Mundial".

Ronaldo, o outro ídolo da Seleção e do Corinthians, também criticou a organização da Copa, mesmo sendo integrante do COL, mas sua declaração não foi bem aceita por Rivelino, e por um motivo bem específico.

"Devia ter falado antes, ou tomado outra posição. Aí de repente ele vem declarar publicamente que está apoiando um outro candidato à presidência. O momento não é para isso. O momento é Copa do Mundo. Mas é um direito dele. Ele é maior de idade, fala o que quer", disparou o ex-atleta, que disputou as Copas de 1970, 1974 e 1978, vencendo a primeira.

As manifestações contra a Copa são vistas com ressalvas por Rivelino, que critica o fato de não ter havido contestação contra a realização do Mundial na época em que o Brasil foi escolhido como sede. "Quando foi definido que a Copa seria aqui, ninguém reclamou, mas se você for analisar gastos, é absurdo. Arenas que não vão ficar para ninguém. Isso eu sou contra". Ele completou a explanação cravando que "manifestação vai acontecer, mas tem que acontecer como aconteceu na Copa das Confederações, sem atrapalhar o espetáculo. Se atrapalhar o espetáculo, vai virar um caos que não será benéfico para ninguém".

Ele acredita, no entanto, que é possível protestar e torcer na Copa do Mundo. "Dá pra mesclar, como aconteceu na Copa das Confederações, sem violência, pacífico. Acho que demorou até. Hoje qualquer manifestação tem a ver com a Copa, porque o mundo inteiro está vendo."

O clima de Copa, menor do que o dos últimos Mundiais, apesar de o Brasil ser sede da competição nesta edição, também foi lembrado por Riva, que lamentou. "O povo brasileiro tá com um pé na frente e outro atrás. Tá esperando pra ver o que vai acontecer. Antigamente, você via as ruas pintadas, todo mundo colorido, com bandeira. A gente não vê hoje. O povo está meio ressabiado".

Jules Rimet x Taça Fifa

Rivelino ergueu a Taça Jules Rimet em 1970, mas não conseguiu levantar a Taça Fifa nas Copas de 1974 e 1978, quando também disputou a competição. Camisa 10 da Seleção nestes dois Mundiais, o ex-jogador afirmou que se frustrou com os reveses nestas duas Copas, mas que matou a vontade de erguer o troféu que está em disputa desde os anos 70 no Tour da Taça, neste ano.

"Eu o levantei no Rio, Porto Velho, Manaus, Belém e aqui (em São Paulo), cinco vezes". Riva completou, ressaltando que "sinceramente, a Jules Rimet era muito mais bonita. Aquela, graças a Deus, levantei e beijei várias vezes".