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22/05/2014 22:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Protesto por moradia e contra Copa reúne milhares de pessoas em SP

ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Milhares de manifestantes caminharam na noite desta quinta-feira (22) a partir da região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, em protesto contra as obras da Copa do Mundo que, segundo eles, deixaram muitos desabrigados devido à especulação imobiliária.

Cerca de 5 mil manifestantes, segundo a Polícia Militar, participaram do ato iniciado às 18 horas no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste da capital. Não houve confronto e, às 20h30, o grupo encerrou a passeata na Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira.

De acordo com organizadores do protesto, 20 mil sem-teto foram à marcha. "A polícia tem de voltar para a aula de matemática. Será que tem só 5 mil aqui?", questionou Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

"Eu não quero uma Copa do Mundo no Brasil, eu quero um teto", gritavam enquanto passavam em frente ao Shopping Iguatemi, exigindo do governo mais moradias para aqueles afetados pela alta dos preços dos imóveis.

"Podem enviar tropas, mas se não cuidarem das pessoas, não vai ter Copa", dizia um cartaz.

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Este é o terceiro ato da campanha "Copa sem povo, tô na rua de novo", que se iniciou em 8 de maio, com a ocupação da sede de grandes empreiteiras relacionadas ao Mundial, e seguiu com o bloqueio de avenidas em São Paulo e outras cidades do país no último dia 15. Além de criticar a realização do Mundial no Brasil, o grupo tinha reivindicações nas áreas de moradia, educação, transporte e saúde.

A manifestação ocorreu de forma pacífica, embora tenha prejudicado o tráfego e fechado lojas. Outros protestos recentes tiveram confrontos com a polícia e tumultos, aumentando os temores de que a violência pode atrapalhar a Copa do Mundo, que começa daqui a três semanas na Arena Corinthians, em São Paulo. "Se não aceitar nossas reivindicações, a cidade vai parar dia 12 de junho", disse Guilherme Boulos, fazendo referência à data do jogo de abertura, entre Brasil e Croácia, segundo informou o G1.

A caminhada foi organizada pelo MTST, que representa 4.000 famílias que vivem acampadas em um terreno a poucos quilômetros do estádio que, segundo elas, contribuiu para o aumento dos preços de imóveis.

Autoridades nas 12 cidades-sede do Mundial estão se preparando para uma repetição dos protestos do ano passado, quando pouco mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas contra os elevados gastos da construção dos estádios, exigindo a melhoria dos serviços públicos.

Os organizadores da caminhada desta quinta-feira disseram que os protestos vão continuar durante a Copa do Mundo.

"Nós não somos contra a Copa do Mundo em si, mas contra os bilhões de reais que foram gastos", disse uma mulher que se identificou pelo primeiro nome, Waldirene. "Eles poderiam ter investido em saúde, transporte e habitação, que nós tanto precisamos."

(Com Estadão Conteúdo)