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21/05/2014 19:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Greve de ônibus em SP: reunião entre motoristas e empresários termina sem acordo, mas paralisação deve acabar

DARIO OLIVEIRA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Terminou sem acordo a reunião entre os motoristas que estão em greve, o sindicato da categoria e os representantes das empresas de ônibus de São Paulo. O encontro, que aconteceu na tarde desta quarta-feira (21) na Delegacia Regional do Trabalho (DRT), não pôs fim ao impasse. Entretanto, segundo o G1, a categoria aceitou suspender a paralisação a partir da 0h desta quinta-feira (22), em troca de uma reunião na Prefeitura de São Paulo.

Em entrevista coletiva, o superintendente regional do trabalho Luiz Medeiros lamentou a postura do empresariado durante toda a reunião. “Se recusaram a reabrir as negociações. Foi absolutamente intransigente. Parece que não pensa na cidade de São Paulo”, disse. Ainda de acordo com Medeiros, “o movimento vem das bases”. “É genuíno. Igual a um vulcão, debaixo para cima, arrebentando o que estava pela frente”.

Uma proposta colocada durante o encontro foi conseguir um encontro com o prefeito Fernando Haddad, às 10h desta quinta-feira, para tentar obter do governo municipal uma reabertura das negociações, que na última segunda-feira (19) definiram um aumento de 10% para motoristas e cobradores – propostas essa aceita em assembleia com 4 mil trabalhadores, segundo o Sindicato dos Motoristas (Sindmotoristas), e recusada pelos dissidentes, que querem 20%. A possibilidade desse encontro com Haddad é que fez os grevistas aceitarem a suspensão da greve.

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Dentro da categoria, os discursos pareceram mais alinhados após a reunião. “Acreditam em mim como liderança como eu confio no meu sindicato”, afirmou o motorista Luiz Pereira Lima, representante da comissão de grevistas. O presidente do Sindmotoristas, José Valdevan, o Noventa, também pediu a reabertura das negociações com os empresários, tentando mostrar que a categoria está mais unida do que nas últimas 48 horas, quando a atual diretoria acusou opositores na última eleição, realizada no ano passado, de estarem por trás da paralisação - que envolveu 62% dos ônibus da capital.

Entretanto, do lado do governo municipal e do empresariado, a posição é bastante distinta e não deve atender ao anseio dos grevistas. De acordo com o prefeito Fernando Haddad, a cidade está sendo “penalizada em um momento em que a prefeitura esta cumprindo rigorosamente com suas obrigações”. O secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, foi mais duro: “Nós não vamos aceitar a sabotagem, não vamos aceitar a chantagem, seja de quem for na cidade de São Paulo”.

O advogado das empresas de ônibus ponderou que a posição da classe não mudou e que “esse tipo de movimento” não é aceito pelos donos dos veículos do transporte coletivo. “Problema sindical não é problema nosso”, comentou, citando ainda a liminar que obriga que, pelo menos 70% dos coletivos circulem na capital, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Tal liminar, porém, foi cassada na tarde desta quarta-feira, em decisão do juiz Valentino Aparecido de Andrade, conforme divulgou em nota a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Em uma outra liminar, segundo as empresas, a desembargadora Rilma Hemetério, do Tribunal Regional do Trabalho, determinou que a circulação de ônibus sejam mantidas “em atividade 75% do total das linhas, por tratar-se de serviços essenciais, sob pena de multa diária a ser fixada oportunamente”.

Caos de 24 horas atrás não se repete nesta quarta-feira

A busca por alternativas por parte do paulistano causou uma verdadeira superlotação no metrô e nos trens da CPTM na terça-feira. Tal situação de caos não se repetiu nesta quarta-feira. A lotação característica do horário de pico das 18h se repetiu, mas sem causar os mesmos tumultos registrados há 24 horas, e registrados por um vídeo divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo.

Por volta das 20h desta quarta-feira, a SPTrans informou que apenas os terminais de Campo Limpo e Lapa continuavam interditados. Já outros sete terminais – Grajaú, Jardim Ângela, Mercado, Parelheiros, Sacomã, Santo Amaro e Varginha – foram reabertos, mas não estão operando pela falta de ônibus. Várias empresas mandaram recolher os veículos, com medo de represálias por parte dos grevistas ou de populares.

Para quem optou pelo transporte individual, o recorde de congestionamento de 261 km, registrado na terça-feira, não foi batido nesta quarta-feira. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ele chegou a 140 km por volta das 19h30, dentro da normalidade para o horário.