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20/05/2014 08:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

"Somos apaixonadas por um padre", desabafam 26 mulheres em carta ao papa Francisco

REUTERS/Tony Gentile

Vinte e seis mulheres escreveram uma carta ao papa Francisco na qual afirmam ser "apaixonadas por um padre" e pedem o fim do celibato na Igreja Católica Romana. "Nós amamos esses homens, e eles nos amam, e na maioria dos casos, apesar de todos os esforços de renúncia a esse sentimento, não conseguimos abrir mão de um laço tão sólido e bonito", afirmaram as mulheres, segundo reportagem publicada pelo site Vatican Insider, do grupo de comunicação La Stampa, um dos mais importantes da Itália.

Na carta, cada uma das 26 mulheres assina apenas com o primeiro nome e a inicial do nome de família, mas no envelope elas incluíram seus sobrenomes por extenso assim como telefones de contato. Elas afirmam ser apenas uma amostra da grande quantidade de mulheres que "vive em silêncio".

"Muito pouco se sabe sobre o sofrimento devastador de uma mulher que é profundamente apaixonada por um padre. Humildemente colocamos nosso sofrimento a seus pés na esperança de que algo possa mudar, não apenas para nós, mas para o bem de toda a Igreja", escreveram.

Segundo as mulheres, quando há uma separação definitiva ambas as partes com frequência sofrem pelo resto da vida. As alternativas seriam o padre abandonar o sacerdócio ou o casal viver a relação em segredo.

"No primeiro cenário (...), queremos que o homem que amamos viva sua vocação sacerdotal inteiramente. Queremos estar ao seu lado e apoiá-lo em seu chamado", dizem.

"A segunda alternativa significa viver uma vida escondida, frustrada por um amor incompleto, sem esperança de formar uma família, um amor que não vê a luz do dia", continuam. "Infelizmente essa é frequentemente a única e dolorosa escolha devido à impossibilidade de desistir de um amor tão enraizado no Senhor."

Na carta, as 26 mulheres apaixonadas pedem para se encontrar com o papa: "Esperamos com todo o nosso coração que o senhor abençoe nosso amor, presenteando-nos com a maior felicidade que um pai pode desejar a seus filhos: vê-los felizes."

Segundo o Vatican Insider, especializado em cobrir a Igreja Católica, até o momento Jorge Mario Bergoglio, nome de batismo do papa argentino, nunca se posicionou pelo fim do celibato, mas em conversa com o rabino Abraham Skorka publicada no livro 'No Paraíso e na Terra', teria admitido que a mudança é possível. "A tradição tem um papel importante. Os ministros católicos gradualmente optaram pelo celibato. Até 1100 d.C alguns optavam por ele, outros não... é uma questão de disciplina, não de fé. Pode ser mudado", afirmou.

Entretanto, nessa mesma conversa, ocorrida antes de sua escolha como papa, Bergoglio expressou claramente sua opinião contrária a padres viverem vidas duplas: "Se um padre me conta que engravidou uma mulher, eu tento acalmá-lo e devagar começo a explicar que o direito natural à vida vem antes de seus direitos como padre. Portanto, é sua obrigação deixar o sacerdócio e cuidar da criança, mesmo que não se case com a mulher."

Já no caso de um padre que se diz apaixonado por uma mulher, o argentino diz tentar fazê-lo corrigir o erro: "Viver uma vida dupla não é bom para nós, é falso. Se não é capaz de fazer isso (respeitar o celibato), tome uma decisão."

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