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20/05/2014 23:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

São Paulo bate recorde de trânsito, vive dia de caos com greve de ônibus, que pode continuar e ganhar adesão de metroviários

HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO CONTEÚDO

O paulistano que depende do transporte coletivo não vai esquecer tão cedo o dia 20 de maio. Foi neste dia, terça-feira, que a capital viveu o caos de uma greve de motoristas e cobradores de ônibus, o que deu origem ao recorde de congestionamento da cidade no ano e, se não bastasse, ainda viu a possibilidade da situação seguir ruim ou até piorar, com a possível adesão dos metroviários.

Por volta das 22h30, seis dos 16 terminais de ônibus que foram interditados pelos grevistas foram liberados, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Os grevistas compõem um ala dissidente do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, que na segunda-feira acertaram um acordo com as empresas de ônibus de reajuste salarial de 10%, além de participação nos lucros e outros benefícios.

A escalada da paralisação, que começou por volta das 10h, segundo a SPTrans, responsável pelo gerenciamento do transporte na capital, foi aumentando ao longo do dia e os ônibus passaram a formar verdadeiros estacionamentos a céu aberto nas faixas exclusivas e nos corredores, impedindo a circulação de outros veículos. O caos no final da tarde já se desenhava.

Por volta das 16h, com anuência da Prefeitura de São Paulo, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) suspendeu o rodízio de veículos de placas com finais 3 e 4 na cidade, como forma de dar uma alternativa ao paulistano. Com mais carros nas ruas, a cidade registrou congestionamento recorde de 261 km, o maior deste ano, por volta das 19h.

Salvação no metrô? Longe disso

Quem não colocou o carro na rua tentou buscar refúgio no metrô para voltar para casa. Entretanto, o sistema sofreu com a superlotação em todas as linhas, o mesmo acontecendo em algumas operações da CPTM. Ou seja, foi necessária muita paciência para poder se locomover pela capital no horário de pico.

Enquanto a situação estava caótica em toda São Paulo, o prefeito Fernando Haddad comparou a ação dos dissidentes do sindicato com “tática de guerrilha”. “Ontem (anteontem) à noite, eu já havia sido informado pelo secretário (dos Transportes) Jilmar Tatto que o sindicato havia aceito a proposta de negociação. Mas um grupo de poucos, cuja causa não se sabe, agiu de maneira inadmissível”, disse o prefeito.

Já Tatto admitiu não ter conseguido identificar os responsáveis pela paralisação, porém enfatizou que irá acionar a Polícia Federal e a Polícia Civil para tentar responsabilizar do ponto de vista penal os organizadores da ação. “Conversei com o Ministério Público e um inquérito será aberto para tentar identificar quem fez isso. Em muitos casos, tiraram as pessoas de dentro dos ônibus e jogaram fora as chaves. Esse tipo de ação tem envolvimento apenas de parte do sindicato”, comentou.

À Folha de S.Paulo, os manifestantes não descartaram manter a greve nesta quarta-feira (21), já que querem um aumento bem acima dos 10% obtidos pelo sindicato da categoria. Por outro lado, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), Francisco Christovam, declarou na tarde de terça-feira que as companhias acionariam a polícia para tentar garantir a saída dos coletivos dos terminais no horário de pico. A posição deve se repetir na manhã desta quarta-feira.

"Estamos acompanhando as manifestações, que parecem que não têm nada a ver com o sindicato. Fazem parte de uma dissidência que atrapalha as negociações. As delegacias próximas serão acionadas", afirmou Christovam.

Situação pode piorar para o paulistano

A incerteza sobre a manutenção da paralisação dos ônibus fez a CET não confirmar até a noite desta terça-feira se o rodízio estaria ou não valendo nesta quarta-feira. Para piorar a vida do paulistano, em assembleia realizada na noite desta terça-feira, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo divulgou estar “decretado Estado de Greve”, o que significa, segundo a entidade, que há uma “decisão legal que permite uma possível aprovação de greve nos próximos dias no decorrer das negociações”. Ou seja, a categoria pode cruzar os braços em breve também.

Segundo dados de Jilmar Tatto, pelo menos 250 mil pessoas foram prejudicadas na terça-feira de caos em São Paulo. O cenário que se desenha pode ser ainda pior nas próximas 24 horas.

(Com Estadão Conteúdo)