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20/05/2014 13:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Ex-presidente da Petrobras: Dilma é 'muito firme', Petrobras 'não está em crise' e oposição 'faz disputa política'

RENATO COSTA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse nesta terça-feira (20) que a presidente Dilma Rousseff não pode ser responsabilizada individualmente pela compra de uma refinaria em Pasadena, no Texas (EUA), aprovada pelo conselho de administração em 2006, quando a então ministra Dilma era a presidente do grupo de conselheiros. "Não considero a presidente Dilma responsável pela compra de Pasadena. A decisão é da diretoria e do conselho de administração da Petrobras. É um processo que não é individualizado, é coletivo", afirmou em depoimento à CPI da Petrobras do Senado.Gabrielli classificou Dilma como uma pessoa "muito firme" e "extremamente competente", mas afirmou que não poderia dizer se a então ministra da Casa Civil concordaria com a posição atual da presidente da República, de que não aprovaria hoje a compra da refinaria. Dilma alega que a decisão sobre a compra foi tomada com base em um sumário executivo "falho" elaborado pela diretoria internacional da Petrobras. "Não posso estimar hoje qual seria a posição do conselho de 2006 se a presidente colocasse a posição que está colocando hoje", disse.

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Gabrielli disse que, desde o governo Fernando Henrique Cardoso a estatal compra refinarias fora do país. Segundo ele, havia uma estratégia na Petrobras de buscar o refino no exterior. Segundo ele, o plano de negócios de uma empresa como a Petrobras envolve mais de 700 projetos e é o conselho de administração que decide quais projetos vão fazer parte do planejamento estratégico. "As decisões do conselho são estratégicas, não são operacionais", frisou. Gabrielli disse que decisões operacionais ficam com a diretoria executiva. O ex-dirigente da estatal disse que a cláusula Marlim, prevista em vários contratos de refinarias, como a de Pasadena, começou a ser usada também no governo FHC. Essa cláusula garante um pagamento de dividendo mínimo a um dos sócios mesmo em caso de prejuízo. Pasadena é lucrativaO ex-presidente da Petrobras afirmou também que a decisão de comprar a refinaria de Pasadena, em 2006, foi uma decisão acertada na época em razão do momento promissor para o refino de petróleo e o consumo de derivados no mercado dos Estados Unidos. Ele afirmou que o negócio passou a pesar a partir de 2007, após tensão com a antiga sócia Astra Oil e uma mudança no quadro do mercado norte-americano. "Era uma refinaria que estava barata. Os primeiros 50% foram comprados a menos da metade do preço das refinaria por barril médio", disse. "A refinaria daria retorno com manutenção do mercado de refino leve e pesado", avaliou. "O mercado de consumo de derivados nos Estados Unidos estava bombando em 2003-2007, não só em gasolina mas em demanda de petróleo pesado", justificou.A partir de 2007, segundo Gabrielli, a Astra iniciou uma batalha judicial exigindo que a Petrobras assumisse os 50% restantes por meio de seis ações judiciais e uma ação em câmara de arbitragem. "Em 2007, começamos a ter problemas com o nosso sócio", disse, listando entre as dificuldades a definição de projetos, de política ambiental e gerenciamento de Pasadena. "Durante 2007 passamos em conflito de negociação", lembrou. Gabrielli, que presidiu a Petrobras 2005 a 2011, declarou que a estatal foi obrigada a comprar os 50% após a decisão arbitral baseada na cláusula Marlim, que obrigava a aquisição caso um dos sócios quisessem deixar o negócio. Antes disso, em fevereiro de 2008, o conselho de administração da Petrobras recusou a compra. O ex-executivo da Petrobras afirmou que Pasadena passou momentos de prejuízo a partir de 2008, mas voltou a dar lucro. "A partir de 2013, ela volta a ser um bom negócio e a partir de 2014 passou a dar lucro", disse.

Ainda durante seu depoimento, Gabielli afirmou que a afirmação de que a estatal vive uma fase de prejuízo e de que não é lucrativa é parte da batalha política. "A Petrobras não pode ser considerada em crise. Isso é campanha da oposição, é disputa política", disse.