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16/05/2014 22:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

CPI da Petrobras no Senado deve ouvir José Sergio Gabrielli na próxima terça-feira

Fábio Motta/Estadão Conteúdo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras começará efetivamente os trabalhos de investigação das denúncias de irregularidades na companhia na terça-feira (20). Como primeiro depoimento, o ex-presidente da empresa, José Sergio Gabrielli deverá ser ouvido especialmente sobre a decisão de compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Gabrielli presidia a Petrobras em 2011, quando a refinaria foi comprada por valores muito acima dos de mercado. Em audiências recentes no Senado e na Câmara, a atual presidenta da empresa, Graça Foster, admitiu que a compra foi “um mau negócio”, mas ressaltou que o cenário na época era diferente do atual.

Graça Foster está com depoimento marcado na CPI para o dia 27. Antes dela, contudo, os senadores ouvirão o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, considerado o responsável por elaborar um parecer recomendando a compra da refinaria, o que teria induzido o Conselho Administrativo a aprovar o negócio.

Segundo o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), foi feita uma inversão nas previsões de tomadas de depoimentos – inicialmente estava previsto que Graça Foster seria a primeira a ser ouvida. Ele explicou que as mudanças ocorreram para adequação das agendas e porque os senadores não queriam perder a programação inicial de promover duas reuniões de trabalho da comissão por semana.

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Na última quarta-feira (14), a CPI da Petrobras fez a primeira reunião para definir um plano de trabalho. Foram aprovados 74 requerimentos que incluem nomes de pessoas convidadas e convocadas para depor, além do pedido de documentos para serem analisados e do auxílio de dois delegados federais nos trabalhos da comissão. Futuramente, funcionários e parte da diretoria atual e anterior da Petrobras deporão na CPI para esclarecer a compra de Pasadena e outros contratos sob suspeita de irregularidades.

Renan deve indicar na terça-feira integrantes da CPMI da Petrobras

O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB/AL), deve indicar na terça-feira (19) os nomes que faltam para compor a CPI Mista da Petrobras. Até a manhã de sexta-feira (16), apenas o PT (com duas vagas) e o PROS (com uma vaga) da Câmara dos Deputados não tinham designado seus representantes na comissão. No Senado, não havia ainda indicações do Bloco de Apoio ao Governo (PT/PDT/PSB/PCdoB/PSOL/PRB) e do Bloco Parlamentar da Maioria (PMDB/PP/PSD/PV). Cada um deles tem o direito a cinco vagas. A CPMI será composta por 16 deputados e 16 senadores como titulares.

Renan Calheiros afirmou na quinta-feira (15) que vai adotar os mesmos critérios de indicação de nomes já usados para a CPI exclusiva do Senado. As regras foram definidas por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, segundo as quais as lideranças partidárias têm prazo de até cinco sessões da Câmara dos Deputados para apontar os membros de CPIs. Se não o fizerem, o presidente do Congresso Nacional (no caso de comissões mistas) deverá escolhê-los em até três sessões.

"A única coisa que depende do presidente e eu vou fazer no prazo é a indicação dos nomes dos partidos que não indicarem. Vou seguir os mesmos prazos que segui com a CPI do Senado", afirmou Renan.

Com a designação dos nomes, a CPMI da Petrobras poderá começar a trabalhar logo em seguida. A primeira reunião deve ser convocada pelo integrante mais velho, que também deve coordenar a eleição para a escolha do presidente da comissão. Cabe ao presidente a escolha do relator.

(Com Agência Senado)