COMPORTAMENTO

Filho não pode ser projeto de vida. A maternidade, sim!

11/05/2014 09:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02
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“Eu quero que meu filho seja bem família.”

“O meu filho vai ser o meu companheiro.”

“Ele nunca vai mentir para mim.”

Resultado: mãe frustrada.

“Algumas mães colocam nos filhos aspirações e projeções muito grandes, que são danosas para as crianças. Filho não pode ser projeto de vida de ninguém”, alerta Sheila Skitnevsky Finger, psicóloga e psicanalista e co-fundadora do Instituto Mãe Pessoa.

Esperar alguns anos até ter condições financeiras suficientes para tê-los, repensar a carreira com a chegada da maternidade, reservar um tempo para ser mãe em tempo integral, curtir o momento pode até ser um projeto. “Mas o filho não. A criança é um novo indivíduo, que vai nascer com suas próprias capacidades e necessidades. Ela vai precisar apenas de instruções para construir o seu próprio mundo. E não de expectativas impostas pelos pais”, acrescenta Sheila.

A tese, aliás, também é defendida por Pamela Druckerman, autora do livro “French Children Don’t Throw Food” (Criança Francesas Não Atiram Comida), que considera o modo francês de educar os filhos um dos melhores já adotados. “Na abordagem francesa, os pais estabelecem uma "moldura" de limites. A imagem sugere fixar regras, mas com certa liberdade dentro delas. Com a moldura definida, as necessidades dos adultos permanecem, ao menos, no mesmo nível que as das crianças. Criar filhos é apenas parte do plano, e não um projeto de vida”, reportou a revista CLAUDIA.

Segundo Sheila, a criança se forma com base em todas as situações vividas ao lado dos pais, responsáveis por mediar o mundo de um jeito bacana para elas. Agora, colocar expectativas demais sobre os pequenos é um grande erro, que não só gera prejuízos à personalidade de um indivíduo recém-chegado ao mundo, como também aos próprios genitores.

Você idealiza o filho perfeito. Só que, de repente, a criança cresce com interesses completamente diferentes daqueles que você imaginou. E aí a frustração é inevitável. “O caminho se abre então para as crises de ansiedade e depressão. Afinal, ela acaba se dando conta de que o filho não é um objeto de sua propriedade. Ele precisa de um espaço para se relacionar com ela e também de espaço para fazer as suas próprias escolhas e emoções”, diz Sheila.

“Mas ele é só uma criança!”

Fato: ele acabou de chegar ao mundo e precisa de um anteparo para entendê-lo e para saber como se comportar. É aí que entra a responsabilidade da mãe - do pai ou de qualquer outro cuidador - de escolher a escola que mais condiz com o tipo de educação que ela pretende oferecer ao filho, de estabelecer alguns valores que acha importante e de definir os limites de comportamento - com castigo ou não. “Sempre com muita coerência, consistência - para evitar confundi-las - e ciente de que qualquer escolha vem acompanhada de perdas - a gente só precisa aprender a lidar com elas. Sem culpa!”, comenta Sheila.

Estabelecidas essas questões, só resta à genitora acompanhar o desenvolvimento dos pequenos e ajudá-los na tradução e mediação de seus conflitos internos, normalmente externalizados através de choros e gritos. É preciso sempre enxergar a criança como alguém que possui os seus próprios desejos e emoções, e que vai se adaptar às escolhas pré-estabelecidas de uma maneira totalmente particular. Ela não será necessariamente igual aos pais. Eles são apenas modelos de pessoas e de como entender o mundo. Ela precisa de espaço para desenvolver seu próprio estilo.

É esperar mais de uma criança, ainda que ela seja apenas uma criança, assim como fazem as mães francesas. “Em resumo, elas educam, mas conseguem manter a vida adulta sem transformar seu mundo num playground”, explica Pamela.

Se filho não é projeto, como a maternidade pode ser?

Se tornar mãe pode ser uma grande oportunidade de crescimento pessoal. “A maternidade pode estimular uma reavaliação de valores e escolhas pessoais que nunca foi feita antes. Não à toa, muitas mulheres acabam revendo a carreira a partir desse momento. Algumas chegam até a optar por assumir a maternidade em período integral e cogitam dar uma parada na rotina agitada de trabalho. Ela pode inverter valores, modificar prioridades, que até então pareciam importantes, e até despertar desejos que acabaram ficando para trás”, comenta Sheila. Isso, sim, é um projeto! Por sinal, muito positivo.

Aproveite esse Dia das Mães não só para prestar homenagens, dar e receber presentes e passear pelas melhores recordações. Use a data também para refletir sobre o papel que você está exercendo como mãe.