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08/05/2014 10:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Michelle Obama adere a campanha por resgate de meninas sequestradas na Nigéria e EUA cogita usar drones em buscas

Reprodução/Twitter

A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, tirou uma foto na noite de quinta-feira (07) com um cartaz de apoio à campanha #BringBackOurGirls, pelo resgate das 276 meninas sequestradas na Nigéria.

Um mês após o sequestro, o caso finalmente parece estar ganhando atenção mundial depois de reportagens de grandes veículos e a adesão de celebridades à causa. Uma delas é Malala Yousfzai, que também foi atacada por terroristas voltando da escola no Paquistão, aderiu à campanha. “Boko Haram tem medo das mulheres, não quer que tenhamos educação. Boko Haram não estudou o Islã”, disse ela à CNN.

Leia também: Meninas sequestradas na Nigéria são obrigadas a casar com terroristas

Paralelamente ao apoio de Michelle à campanha, os Estados Unidos cogitam usar seus drones (aviões não tripulados) para procurar as meninas, segundo disse ao jornal local This Day o embaixador americano no país, James Entwistle. Segundo o diplomata, soldados e especialistas americanos chegarão “em breve” ao país africano.

Na semana passada, o presidente Barack Obama já havia anunciado o envio de uma equipe de especialistas, assim como outros países como China e França. O governo da Nigéria também ofereceu uma recompensa de 50 milhões de nairas (690.000 reais) para quem der informações sobre o cativeiro das meninas. O problema é o atraso: elas foram sequestradas há um mês e as autoridades locais deixaram passar a oportunidade de tentar resgatá-las quando ainda tinham boas chances, ou seja, logo no começo.

Segundo a AP, os próprios parentes das vítimas foram atrás dos sequestradores na Floresta Sambisa, um local dominado pelo grupo. Quando eles voltaram a Chibok e avisaram os soldados que eles estavam lá, os soldados negaram ajuda, contaram os familiares. No dia seguinte, fontes militares falaram que haviam libertado a maioria das meninas, informação que o Ministério da Defesa teve que desmentir um dia depois. Agora, o Exército e o governo da Nigéria estão sendo criticados mundialmente pela forma como lidaram com o sequestro logo no começo. Em uma tentativa de driblar as críticas, o presidente Goodluck Jonathan disse nesta quinta que o caso incentivará o combate a extremistas país.

Caso

Mais de 300 meninas foram sequestradas no final de março em uma escola secundáriaem Chibok, no estado de Borno, no nordeste do país. Elas foram sequestradas enquanto faziam uma prova de física no colégio.

O Boko Haram assumiu o sequestro esta semana e disse que o fez porque Alá mandou. Boko Haram significa “Educação Ocidental é pecaminosa”, e o grupo já matou mais de 4.000 pessoas desde que começou sua campanha contra o governo, em 2009, segundo a ONG Crisis Group. Este ano, diante da incapacidade do governo de Goodluck Jonathan de combater o terrorismo no país, o conflito parece ter ficado mais violento: 1.500 nigerianos morreram somente em 2014. O grupo também contribuiu com a explosão de casos de pólio na Nigéria, bombardeando centros de vacinação. Enquanto isso, o Boko Haram matou outras 300 pessoas em um novo ataque na fronteira com Camarões nesta quarta-feira (07).

Como ajudar

Mobilizada pela situação, a plataforma Change criou uma petição para cobrar a ONU Mulheres, UNICEF e outras organizações de pressionar o governo nigeriano. Assine aqui a petição.