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08/05/2014 20:38 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Cinco motivos para você participar do Dia de Bike ao Trabalho

Think Stock

Há nesta sexta-feira, 9, um motivo muito legal para você deixar o carro em casa e ir de bicicleta para o trabalho: é comemorado o Dia Mundial de Bike ao Trabalho.

O nome é auto-explicativo: é um dia para você que ainda não vai para o trabalho de bicicleta experimentar e aderir ao movimento de não utilizar mais carros para se transportar -- ou tentar reduzir ao máximo o uso de automóveis no seu cotidiano. Desde de 1956, a Liga de Ciclistas americanos promove o “Bike to Work Day”, que no Brasil chegou há pouco anos com a união de grupos por mobilidade urbana.

Por aqui a iniciativa está sendo capitaneada pelo Bike Anjo e está espalhada por todo o país com diversos eventos e atividades relacionadas ao Dia.

Como parte do incentivo para que mais pessoas adotem o hábito de ir de bicicleta para o trabalho (ou para o shopping, para o supermercado, para o parque…), o Brasil Post conversou com cinco pessoas que já fazem isso há algum tempo para descobrir como é a vida de quem vai para o trabalho com a magrela.

  • Naiara Lima, designer
    Foto: Arquivo pessoal
    Naiara tem 27 anos e mora em Florianópolis. “Bicicleta, para mim era coisa de criança e ainda por cima fui criada em uma avenida movimentada, então nunca fui uma grande ciclista” explica sobre seu primeiro contato com a magrela. Naiara diz que tentou começar a usar a bicicleta como meio de transporte pela primeira vez aos quinze anos, quando houve uma mudança bruta no transporte de sua cidade. “Não deu muito certo na época, mas aos 22 passei a usar a bike para ir para a faculdade. Desta vez durou mais tempo e eu já sentia as vantagens e a liberdade do novo modal. Era uma coisa meio vida louca, não tinha ideia de como me portar no trânsito, me desesperava e subir na calçada, não tinha as sinalizações corretas, mas inegavelmente me divertia” conta. Depois de alguns anos passando pela adaptação às ruas em cima da bicicleta, a designer explica que hoje “ir de bike pro trabalho praticamente define quem eu sou. Pode parecer extremista, mas como não sofro com o sistema de ônibus e não fico presa no trânsito, possuo mais tempo e disposição”. Mesmo gostando da rotina sobre duas rodas, Naiara lembra que a vida do ciclista não são flores. Para ela os “finos” tirados por motoristas e falta de sinalização no trânsito são fáceis de driblar. “Para mim, o mais difícil é ser mulher e ciclista. Sempre fui do tipo que não me importava com que roupa ia sair, porque não me deixava inibir pelo assédio masculino, mas de bicicleta, inúmeras vezes troco de roupa para evitar o assédio no trânsito”. Mesmo assim, Naiara é apenas elogios pra quem quer começar: “Com a bicicleta, você deixa de ser alguém que mora em uma cidade e você passa a vivê-la. Eu costumava ter uma péssima relação com Florianópolis. Depois que comecei a pedalar visitei locais que não ia desde criança. A partir daí, Florianópolis se tornou uma cidade magnífica para mim”.
  • Lucas Pretti, jornalista
    Foto: Arquivo Pessoal
    Lucas tem 30 anos e é editor de blogs no Brasil Post. Mora em São Paulo, SP. Inseriu a bicicleta no seu cotidiano por influência de dois amigos. “Eles vinham se tornando mais e mais ativistas da bicicleta desde 2009. Eu observava-os admirando, me inspirando, mas ainda morava muito longe do trabalho e das regiões por que mais circulava. Lá por 2011, já com trabalho, rotina e casa novos (um perto do outro), muitas pessoas ao meu redor começaram a comprar bicicletas, inclusive as do trabalho. E minha atuação como produtor cultural começou a ser completamente ligada ao ativismo do direito à cidade. Fui na onda”. Lucas conta que não foi motivado diretamente pelo dinheiro ou pelo tempo, mas por buscar uma outra relação com a cidade. “Tanto no sentido de fazer minha parte para desafogar a cidade (por que devo ser mais um a lotar o metrô?) quanto num sentido mais corpo-existencial, de superar e vencer as subidas, conhecer o pulso de cada avenida, meditar pela transpiração. Uma alteração que merece ser citada é que a bicicleta exige uns cuidados próprios -- pneu certo, bagageiro, levar roupas para se trocar no trabalho -- e isso vai te fazendo entrar numa cultura biker deliciosa. Você vai se tornando a bicicleta, é uma delícia”. Como principais problemas da vida de ciclista cita três coisas: xingamentos de motoristas, risco de atropelamentos e preocupação materna -- “sabe como é, né?”. Para nosso editor de blogs, há apenas um conselho para quem quer começar a pedalar pro trabalho: “Comece. Manda um "late mais alto que daqui eu não te escuto" pros motoristas, aos quais, claro, eu desejo vida longa”.
  • Eugênio Mazzarollo Jr., funcionário público
    Foto: Arquivo Pessoal
    Eugênio tem 43 anos e mora em São Paulo, SP. “Já faz mais ou menos dois anos que eu uso bicicleta para ir para o trabalho, não ia antes pois onde morava não tinha como guardar uma bike” conta. O ciclista conta que passou a morar mais próximo do trabalho e que ir de bike ao trabalho inclusive fez com que saísse mais tarde de casa, por conta da praticidade. Sobre os problemas da vida sobre duas rodas, Eugênio diz que enfrenta muito preconceito “muitas pessoas olham com um pouco de desprezo, o que é uma pena” mas completa que o principal problema não é esse: “o que realmente incomoda são as intempéries da natureza”. Mazzarollo conta que a família ficou preocupada quando começou a usar a bicicleta como meio de transporte, por conta do trânsito da cidade, mas que logo todos se acostumaram. Se recomendaria a alguém começar a usar a bicicleta? “Recomendo, claro. Sempre fico me perguntando: ‘por que demorei tanto para fazer isso?’”.
  • George Porto Ferreira, geógrafo
    Foto: Arquivo Pessoal
    George mora em Brasília e tem 38 anos. “Desde que vim morar na capital, em 2008, vou de bike pro trabalho. No começo eram poucas vezes por semana... Hoje em dia vou todos os dias. Sempre fui partidário da bicicleta como meio de transporte por vários motivos: por minha saúde, para evitar o transito, não ter problema para estacionar, evitar poluição sonora e atmosférica entre outras coisas” explica. Outra vantagem para George pode ser bem relevante para quem quer começar a pedalar: doeu menos no bolso. “Fiz os cálculos do quanto pedalei no ano passado através de um app e foram mais de 1000 km só neste trajeto casa-trabalho-casa. Com isso, deixei de rodar mais de 1400 km de carro (o trajeto de carro é mais longo). Considerando que meu carro faz em média 10km/l deixei de queimar 140 litros de combustível. Calculando por alto foi uma economia de R$ 420,00”. O geógrafo conta que tem a sorte de ter um vestiário no seu local de trabalho, o que facilita em outra mudança que foi crucial: começar a levar uma muda de roupa consigo. Sobre problemas, apenas os comuns: “no meu caso pneu furado e chuva eu diria que são os piores. Para outras pessoas talvez seja o perigo do trânsito. Meu trajeto é quase todo por ciclovias”. Por fim, se George recomenda o uso da bike para outras pessoas? “Com toda certeza! E posso dizer que Isso já está acontecendo... O bicicletário do meu trabalho está cada dia mais cheio!”.
  • Marco Gomes, empresário, dono da Boo-box
    Foto: Arquivo Pessoal
    Marco tem 27 anos de idade e mora em São Paulo, SP. Ele conta que começou a andar de bicicleta após uma viagem para a Europa, quando em Amsterdã notou que as pessoas usavam bastante a bicicleta para se locomover. “Quando voltei para São Paulo comecei a alimentar essa ideia de usar a bicicleta para ir para o trabalho. Na época eu morava a 5 km do trabalho e tive que voltar a pé uma vez e vi que era mais rápido que ir de carro. O trânsito de São Paulo estava me deixando estressado. Foi assim que começou”. Desde 2012, o empresário utiliza a bicicleta como meio de locomoção na capital paulista: “Várias coisas mudaram, inclusive tive uma melhora física com isso. Mas meu motivo principal é um tanto egoísta: eu uso bicicleta porque é mais eficiente. Eu consigo prever o tanto que vou demorar, calcular melhor os horários. Com carro não. Eu nunca sei se vou demorar meia hora ou uma hora por causa do trânsito”. Sobre os problemas da vida de ciclista, atropelamentos são o topo da lista. “Ontem mesmo, quase fui atropelado três vezes. Carros ficam tentando cortar e é horrível. Uso bastante a faixa de ônibus e a invasão do carro particular na faixa de ônibus é terrível. Falta treinamento por parte dos motoristas sobre como lidar com o ciclista”. Ainda assim, Marco defende que não deve haver um “ódio” entre os usuários de diferentes tipos de transporte. “Todo mundo tem que se respeitar. É preciso instaurar uma democracia de modais. Quando eu viajo, eu alugo carro. Eu gosto de dirigir. O problema são os estacionamentos dentro da cidade. Prefiro a previsibilidade que a bike me dá, mas não condeno quem gosta de usar outros tipos de transporte”.