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07/05/2014 16:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Campanha por meninas sequestradas na Nigéria ganha força, mas e o resgate?

AP/Sunday Alamba

O que no começo foi um sequestro pouco noticiado ganhou força com uma campanha #BringBackOurGirls de organizações internacionais de direitos humanos e a adesão de celebridades. Fato é que 276 meninas foram sequestradas há um mês na Nigéria pelo grupo terrorista Boko Haram e, até agora, não há sinal de que elas possam ser resgatadas em breve.

A paquistanesa Malala Yousfzai, que também foi atacada por terroristas voltando da escola no Paquistão, aderiu à campanha. “Boko Haram tem medo das mulheres, não quer que tenhamos educação. Boko Haram não estudou o Islã”, disse ela à CNN.

O Boko Haram assumiu o sequestro esta semana e disse que o fez porque Alá mandou. Boko Haram significa “Educação Ocidental é pecaminosa”, e o grupo já matou mais de 4.000 pessoas desde que começou sua campanha contra o governo, em 2009, segundo a ONG Crisis Group. Este ano, diante da incapacidade do governo de Goodluck Jonathan de combater o terrorismo no país, o conflito parece ter ficado mais violento: 1.500 nigerianos morreram somente em 2014. O grupo também contribuiu com a explosão de casos de pólio na Nigéria, bombardeando centros de vacinação.

Segundo Lesley Anne Warner, analista de África para a CNA Corporation, disse em entrevista à ThinkProgress , o caso é um pouco mais difícil de solucionar porque a Nigéria não soube lidar com o terrorismo apropriadamente.

A estratégia foi combater com violência, o que entrava qualquer esforço de negociação. A Anistia Internacional acusou em março o exército da Nigéria de matar 600 pessoas, a maioria ex-prisioneiros que foram libertados depois de um ataque do Boko Haram em um acampamento militar.“Como o grupo tem ficado cada vez mais radical nos últimos anos, é impossível negociar com os líderes do Boko Haram agora”, disse Warner.

Agora, o Exército e o governo da Nigéria estão sendo criticados mundialmente pela forma como lidaram com o sequestro logo no começo. Segundo a AP, os próprios parentes das vítimas foram atrás dos sequestradores na Floresta Sambisa, um local dominado pelo grupo. Quando eles voltaram a Chibok e avisaram os soldados que eles estavam lá, os soldados negaram ajuda, contaram os familiares. No dia seguinte, fontes militares falaram que haviam libertado a maioria das meninas, informação que o Ministério da Defesa teve que desmentir um dia depois.

De acordo com a AP, a única forma de trazer as meninas de volta e através de negociação com uma autoridade islâmica que já negociou outros reféns anteriormente. A autoridade, que permanece anônima para não atrapalhar as negociações, disse que os terroristas estão dispostos a libertar as meninas por dinheiro, mas não especificaram a quantia. O mesmo homem que negociou com ele, no entanto, disse que uma operação militar resultará na morte das meninas. Enquanto isso, o Boko Haram matou outras 300 pessoas em um novo ataque na fronteira com Camarões nesta quarta-feira (07).

Como ajudar

Mobilizada pela situação, a plataforma Change criou uma petição para cobrar a ONU Mulheres, UNICEF e outras organizações de pressionar o governo nigeriano. Assine aqui a petição.

(Com Associated Press)