COMPORTAMENTO
03/05/2014 18:18 -03 | Atualizado 25/03/2017 20:46 -03

O guia de uma atriz pornô para levar uma vida sexual saudável

Thinkstok

O autoconhecimento sexual é importante para todos, mas principalmente para as atrizes de filmes pornográficos, cujo ganha-pão é o trabalho que fazem entre quatro paredes. Várias atrizes pornô revelaram o que fazem para manter a vida sexual saudável e divertida – e descobrimos que até os que não se aventuram muito no sexo podem aproveitar algumas dicas (explícitas e sem censura) dessas profissionais do entretenimento adulto.

Mantenha-se saudável.

Se você está disposto a embarcar numa viagem de experimentação sexual, disse Dylan Ryan, defensora dos direitos de profissionais do sexo que se considera uma "atriz pornô feminista", é preciso ter pessoas na sua vida com quem você pode se abrir e falar o que está sentindo.

"As pessoas começam a ter problemas quando param de fazer uma auto-reflexão ou ignoram os sentimentos e não falam sobre o que estão passando", disse Ryan ao The Huffington Post. "É como fechar a porta de um armário. Quando você abre de novo, talvez não lembre de todas as coisas que guardou ali dentro".

Ryan enfatizou o fato de que a saúde física pode afetar a saúde mental. "Mantenha-se saudável – tenha uma boa alimentação, faça exercícios, fique em forma, faça ioga, passe tempo com amigos", ela disse. Ela também recomendou fazer exames frequentes para doenças sexualmente transmissíveis.

"Como atriz, faço exames sempre, mesmo que não esteja trabalhando com frequência", ela disse. "Eu gosto de saber da minha condição e ter uma comunicação transparente com o meu parceiro. Às vezes, pode dar muito medo, mas é melhor saber".

Reserve tempo para si mesmo.

Ter um tempo só para você serve como espécie de check-up mental, e muitas vezes é parte essencial do cuidado que você deve ter consigo mesmo quando a sua vida sexual passa por um momento turbulento, seja fisicamente ou emocionalmente.

"Eu começo a ficar encanada com o lance do poliamor e de ficar com várias pessoas quando não tenho um tempo para mim", afirmou Courtney Trouble, atriz e diretora de filmes pornográficos. Courtney disse ao HuffPost que ter um tempo a sós ajuda a pessoa a se sentir à vontade dentro de sua própria pele. "Mesmo no meu casamento, eu reservo um tempo só para mim – sem saídas, sem marido, sou só eu" ela disse.

Quer experimentar? É provável que você já tenha os apetrechos que precisa.

A experimentação sexual pode lhe fazer bem. De acordo com uma pesquisa publicada em 2013 no periódico The Journal of Sexual Medicine, casais que praticam sexo de forma mais 'excêntrica' podem ter melhor saúde mental que os casais com preferências 'normais'. Andreas Wismeijer, principal autor da pesquisa, disse que uma possível explicação para tal fato é que as pessoas que se permitem experimentar tendem a ter maior consciência e comunicam mais claramente seus desejos sexuais – e já trabalharam as questões psicológicas necessárias para abraçar práticas sexuais nada convencionais.

Então, tem curiosidade de saber como é transar amarrado? Não se preocupe se tiver vergonha ou lhe faltar tempo para passar numa sex shop. "Todo mundo tem um fio ou faixa em casa", disse Stoya, escritora e atriz de filmes pornô alternativos. "Todo mundo tem coisas em casa que podem virar brinquedos eróticos".

Para experimentar o bondage – fetiche em que a pessoa faz sexo amarrada - Stoya recomenda fios e faixas de amarrar roupão de banho. De acordo com ela, outras predileções sexuais também podem ser satisfeitas usando objetos caseiros comuns. "Não há necessidade de comprar uma coisa cara se você está na fase da experimentação", ela disse ao HuffPost.

Diga ao seu parceiro(s) EXATAMENTE o que você quer.

A verdade nua e crua é: Se você não disser ao seu parceiro(a) o que você quer, ele ou ela nunca vai saber como lhe satisfazer. "Nos Estados Unidos, muitas pessoas se tornam adultas sem falar sobre consentimento ou desejos sexuais", disse Stoya, que escreve uma coluna sobre sexo no site Refinery 29. "As pessoas me fazem perguntas do tipo: 'O meu namorado nunca faz sexo oral em mim, e eu queria muito que ele fizesse – como eu consigo que ele faça sem ter que falar sobre isso com ele?' E aí eu respondo, 'Bem, de repente se ele gosta de geléia de morango, deixa um rastro de geléia que começa na cama e vai subindo pelas suas pernas'. Mas isso dá um trabalho danado, seria bem mais fácil dizer, 'Ei, gato, que tal fazer um sexo oral em mim?'

Não tenha vergonha dos seus desejos.

A excitante (e, às vezes, aterrorizante) consequência de falar coisas como 'Ei, gato, que tal fazer um sexo oral em mim?', é aprender a não ter vergonha dos seus próprios desejos sexuais – ou da falta deles.

"Eu fazia swing e experimentei todo tipo de prática sexual - foi muito louco, foi incrível", disse Satine Phoenix, atriz que já fez filmes pornográficos, ao HuffPost. "Mas aí eu conheci um cara e não tive vontade de ficar com mais ninguém". Hoje, ela diz que gostaria de ter dado mais valor a si mesmo do que aos outros quando tinha vinte e poucos anos.

Stoya destacou o absurdo que é fazer as pessoas sentirem vergonha pelo que gostam na cama. As preferências sexuais, diz ela, são tão individuais e variadas quanto as preferências gastronômicas – "mas ninguém te chama de vagabunda por gostar de comer Doritos".