NOTÍCIAS
01/05/2014 16:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Contra "kit gay", índios e cotas, Jair Bolsonaro aposta em candidatura à Presidência da República. Será?

Não é nenhum devaneio: o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) quer ser candidato à Presidência da República. Na semana passada, ele oficializou junto à cúpula do seu partido o desejo de ser candidato nas eleições de outubro.

Já nesta semana, em discurso na Câmara dos Deputados, ele afirmou que o País pede por uma mudança “Estou pleiteando uma vaga para disputar a Presidência da República. Por quê? Porque a direita tem cara, tem nome e tem voto!”, exaltou.

Ele apresentou ainda a sua relação de propostas, caso venha a ser considerado pelo PP para o pleito:

-> Redução da maioridade penal

-> Política de planejamento familiar

-> Contra o “kit gay”

-> Revogação total do estatuto do desarmamento (“só cidadão de bem foi desarmado, os marginais continuam bem armados e protegidos por esse governo”)

-> Contra a indústria de demarcações de terras indígenas (“que sufoca a nossa agricultura”)

-> Contra Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

-> Contra qualquer tipo de cotas (“governo estimula ódio racional entre nós”)

-> Fim das ideologias nas escolas (“nas nossas escolas, o capitalismo é o inferno e o socialismo é o paraíso, nos aproximando de Cuba”)

-> Valoração das Forças Armadas e contra a Comissão Nacional da Verdade (“que só produz mentiras sobre aquele período”)

-> Contra o Marco Civil da Internet (“será regulamentado por decreto, abrindo as portas para a censura da internet”)

-> Contra as atuais políticas de direitos humanos (“que só defendem vagabundo, nada mais”)

-> A favor do trabalho forçado em presídios (“apesar de se saber que consta como negativo na Constituição”)

O tom agressivo de algumas opiniões não difere muito das apresentadas por Bolsonaro nessa legislatura, quando foi eleito por mais de 120 mil eleitores do Rio de Janeiro para ocupar uma assento da Câmara. Mas, francamente, quais as chances do deputado, um ex-militar de 59 anos, realmente ser candidato ao Palácio do Planalto?

LEIA TAMBÉM

Bolsonaro grita com jornalista e chama de 'idiota' e 'analfabeta' (VÍDEOS)

50 anos do Golpe: Alves nega pedido de Bolsonaro para exaltar militares

No âmbito da direção nacional do PP, partido caracteristicamente governista nas últimas décadas, a possibilidade de apostar em Bolsonaro parece mínima. O partido ainda não definiu o seu posicionamento, seja seguir ao lado de Dilma Rousseff (PT), seja atender aos cortejos já feitos pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Entretanto, isso não faz Bolsonaro desistir. Ele pediu aos principais institutos de pesquisa do País para que seu nome seja incluído nos próximos levantamentos de intenção de voto para a eleição presidencial. Se considerado, ele acredita que pode surpreender muita gente. Talvez ele tenha razão, ainda que parcialmente.

Em outubro do ano passado, o Datafolha apurou que 48% da população brasileira se identificava com ideais de direita, mais conservadores. Essa é a porcentagem, segundo o instituto, de pessoas com “opiniões semelhantes em temas como aborto, posse de armas, causa da pobreza e homossexualidade”.

Possivelmente, sendo sugerido como opção, Bolsonaro espera fazer barulho, pelo menos até as convenções partidárias de junho. Por não precisar se desincompatibilizar do cargo de deputado federal para sair candidato à Presidência, ele ainda pode se resguardar e tentar a reeleição ao cargo que ocupa em Brasília – o que parece mais provável.

“Pode ter certeza que muitos, caso a pesquisa venha a ser feita, vão se surpreender com a quantidade de pessoas que se identificam com a direita brasileira e com essas propostas, e não com essas da esquerda que está aí”, profetizou Bolsonaro. É esperar para ver se o sonhado apoio ao parlamentar virá na mesma proporção de suas polêmicas como deputado.