NOTÍCIAS
29/04/2014 21:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Deputados visitam José Dirceu, que assistia jogo da Liga dos Campeões, e divergem sobre privilégios

Clélio Tomaz/LeiaJáImagens/Estadão Conteúdo

Os cinco deputados integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Minorias que visitaram nesta terça-feira (29) o ex-ministro José Dirceu no presídio da Papuda saíram com opiniões divergentes. Nilmário Miranda (PT-MG), Jean Wyllys (PSOL-RJ), Luiza Erundina (PSB-SP) disseram ter constatado que ele não teve nem tem nenhum privilégio. Erundina afirmou que, ao contrário, ele tem menos direitos que os demais presos, justamente para não passar a impressão de que é privilegiado.

Já a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) disse que ele tem vários privilégios, por ter uma cela individual e bem maior que as outras. O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) avaliou que ele não tem regalias, propriamente, mas que está em situação muito melhor que a grande maioria dos presos brasileiros.

Quando os deputados chegaram, o ex-ministro estava assistindo ao jogo Bayern de Munique X Real Madrid em uma TV de 20 polegadas que fica em sua cela.

Denúncias de regalias

Os deputados foram recebidos pelo coordenador-geral do Sistema Penitenciário do Distrito Federal, João Feitosa, e pelo diretor a unidade onde Dirceu está preso, Marcory Geraldo Mohn. Durante quase uma hora de conversa, os responsáveis pelo presídio negaram ponto por ponto as denúncias de regalias publicadas pela imprensa, desde o uso de celular até um café da manhã diferenciado.

A principal acusação foi a de que teria falado no celular em 6 de janeiro com James Correia, secretário da Indústria da Bahia. Feitosa disse que foi aberta uma investigação e que foi constatado que a informação era falsa. Segundo ele, esse não era um dia de visitas e Dirceu teve contato apenas com dois advogados, no parlatório, separados por um vidro.

Quanto à alimentação, garantiram que é a mesma dos outros presos. Assim como os demais presos, segundos os diretores, Dirceu melhora sua alimentação comprando produtos de uma cantina pequena que funciona no presídio – pão de queijo, chocolate, algumas frutas e biscoitos, por exemplo. As visitas são semanais. Nessas ocasiões, cada preso pode receber até R$ 125,00 de parentes para gastar na cantina.

A cela que Dirceu ocupa tem um pouco mais de 20 metros quadrados (cerca de 4m x 5m) e é bem maior que a dos demais presos, que tem 15 metros quadrados. Além disso, Dirceu fica sozinho, e os demais compartilham com quatro e até cinco presos, embora as celas sejam menores.

Os diretores explicaram que a unidade ocupada por Dirceu, que tem cinco beliches, era uma cantina que foi transformada em cela para receber os oito presos do regime semiaberto do chamado mensalão. Com o tempo eles foram transferidos, e Dirceu ficou sozinho.

Eles disseram que o ex-ministro fica sozinho por ser vulnerável, em razão da sua visibilidade. Se tivesse contato com outros presos, segundo eles, estaria correndo risco. A comissão agora vai discutir o relatório da visita, que deverá ser encaminhado ao relator do processo do mensalão, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa.

Pedido da família

A visita foi proposta pelo deputado Nilmário Miranda, que atendeu pedido dos filhos de Dirceu, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e Joana Saragoça. Eles argumentam que o pai está em regime fechado, apesar de ter sido condenado ao semiaberto, e queriam que a comissão constatasse que ele não tem privilégios na prisão.

Nilmário disse ter chegado a essa mesma conclusão. Jean Wyllys, que concorda com Nilmário, assinalou que por ser da oposição sua opinião é isenta (de que não há privilégios). Wyllys acrescentou que os deputados Arnaldo Jordy e Mara Gabrilli partidarizaram a visita.

Dirceu está no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), uma das quatro unidades do complexo da Papuda. Estão presos nessa unidade pouco mais de 1.600 pessoas, todas condenadas ao regime semiaberto. Muitos trabalham lá dentro mesmo, como Dirceu, e a maioria está desocupada, ficando no banho de sol, por falta de vagas ou de qualificação, segundo a direção do presídio.