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29/04/2014 16:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Atentado do Riocentro era do conhecimento de militares e foi manipulado, aponta CNV

Reprodução/CNV

Um atentado com a participação de militares de alta patente e uma investigação manipulada para esconder o que de fato aconteceu no dia 30 de abril de 1981. Essas foram duas das conclusões preliminares do relatório acerca do atentado do Riocentro, divulgado nesta terça-feira (29) pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), no Rio de Janeiro.

De acordo com a comissão, o atentado foi promovido por militares inconformados com os rumos da abertura política que vinha avançando no País, desde o final da década de 1970. O incidente no Riocentro resultou em graves ferimentos do chefe da seção de operações do DOI do I Exército, capitão Wilson Machado, e na morte do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que não sobreviveu à explosão dentro do Puma marrom de Machado.

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O relatório da CNV conta com um farto material encontrado na casa do ex-chefe do DOI do Rio de Janeiro, coronel Júlio Miguel Molinas Dias, que foi assassinado em novembro de 2012, em Porto Alegre. Nessa documentação, a comissão encontrou fortes indícios que altas autoridades militares sabiam do atentado – um dos mais de 40 realizados entre 1979 e 1981 – e que trabalharam para tornar os dois militares envolvidos “vítimas” de uma suposta ação de forças de esquerda.

O caso nunca resultou em condenações, o que deveria mudar, na opinião do membro da CNV e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias.

O almirante Júlio de Sá Bierrenbach foi um dos que participaram da apresentação do relatório no Rio. Ele é citado como uma das autoridades que “questionaram a lisura dos procedimentos apuratórios”, o que lhe rendeu “reprimendas, com repercussão inclusive em suas carreiras militares”. Ele questionou as promoções recebidas por Machado após o atentado.

Esse foi o sexto relatório divulgado pela CNV.