COMPORTAMENTO
23/04/2014 19:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:29 -02

Só verdades sobre o efeito sanfona

ronaldo

Os dias frios estão apenas começando e o estoque de chocolate aumentando, principalmente, depois da Páscoa, que já acabou, mas deixou lembranças (físicas). Está montando então o cenário perfeito para o abandono da dieta, que infelizmente pode desencadear o tão temido “efeito sanfona”. E aí, todo aquele esforço depositado no emagrecimento vai embora em um piscar de olhos, deixando não só saudades, como também problemas de saúde. Mas calma, a notícia boa é que é possível evitá-lo!

“Apesar de não ter uma definição médica exata, o efeito sanfona é o que a gente chama de reengorda”, explica o Dr. Pedro Saad, clínico e endocrinologista da Unifesp. “Normalmente, ele acontece depois que a gente faz dietas muito restritivas, cuja manutenção é quase sempre inviável”, completa a Dra. Flávia Barbosa, endocrinologista pela UFRJ e professora da Unirio. E com a descoberta incessante de regimes “milagrosos”, o tal do engorda-emagrece-engorda se faz cada vez mais presente na vida de quem está sempre querendo perder os quilos extra, mas põe tudo a perder assim que os hábitos pré-dieta são retomados ou que as tentações de inverno começam a dar as caras.

Pedimos então para os dois especialistas revelarem TUDO o que a gente precisa saber para passar longe desse mal.

lady gaga

Nunca, jamais acredite em milagres. (Sim, é sério!)

Parece óbvio, mas muita gente insiste em entrar com tudo nas dietas da moda. No início, elas realmente funcionam. “Com qualquer super-restrição de calorias, você emagrece. O problema é que, assim que elas são interrompidas ou finalizadas, você volta aos hábitos anteriores e recupera todo o peso perdido”, explica Flávia. Por isso, a regra básica para não ficar à margem do efeito sanfona é investir na reeducação alimentar prolongada com acompanhamento médico.

Encarar o efeito sanfona é pior do que continuar gordinho.

“Toda vez que emagrecemos com uma dieta muito restritiva, perdemos junto com a gordura cerca de 10% de massa magra”, conta Flávia. “Só que na hora que voltamos a engordar, recuperamos apenas gordura. Imagine só perder 20kg, que correspondem a 2kg de músculo, e recuperá-los tempo depois, mas com 2kg a mais de gordura? Vira um círculo vicioso, que só faz mal.” Além de comprometer e reduzir o metabolismo, aumentam os riscos de diabetes e tigliceris, a imunidade cai e a dificuldade de voltar a perder peso piora ainda mais. Quanto menor a massa muscular, mais difícil se torna a queima de calorias. “Ou seja, a pessoa fica pior do que se não tivesse emagrecido. Daí a importância da dieta equilibrada aliada à prática regular de exercícios físicos”, completa Pedro. Assim a frustração do efeito sanfona passa longe.

Mas lembre-se que exercícios aeróbicos nãos bastam. Musculação é essencial. “Ele não só contribui para o gasto energético na hora da prática, como o mantém pelas próximas 48 horas. Além disso, quanto mais massa muscular, mais acelerado fica o metabolismo basal”, ensina o especialista.

christina aguilera

Nem sempre a recuperação de alguns quilos perdidos configura efeito sanfona.

Quem recupera parte do peso, mas consegue se manter ao menos 5% mais leve do que era antes da dieta, sem perder o hábito de praticar exercícios físicos, é considerado pelos especialistas um caso de sucesso e não uma vítima do efeito sanfona. Parece pouco, mas segundo Flávia, “alguns estudos mostram que, quando essa manutenção é feita por pelo menos dois ou três anos, o organismo conquista uma nova ‘memória’ metabólica e passa a reconhecer aquele corpo como adequado, não mais o anterior.” Apesar de esteticamente não ser muito significativo, essa mudança metabólica diminui os riscos de doenças. Ou seja, é sim uma grande conquista.

Os hormônios dão um empurrãozinho extra.

Os hormônios também jogam contra quando o assunto é manter a dieta e acabam se tornando grandes aliados do efeito sanfona. Por isso, é preciso muita determinação na hora de manter o emagrecimento. A grelina (hormônio da fome), que é produzida pelo estômago, e a leptina (hormônio da saciedade), que é produzida pela gordura, atuam diretamente no ganho do peso. “Enquanto você pesava, por exemplo, 90Kg, eles estavam em equilíbrio. A partir do momento que você baixou para os 80Kg, eles aumentam repentinamente para que o seu corpo volte ao peso anterior. Agora, se você permanecer nos 80Kg por um tempo prolongado, o organismo vai transformar esse peso no seu ponto de equilíbrio, coordenando também a liberação dos dois hormônios”, exemplifica Pedro. Quando a fome e a saciedade estão sob controle, nada mais pode jogar contra.

A balança não pode ser inimiga, mas aliada - e companheira diária.

De acordo com Pedro, se tem uma prática que contribui muito para a não recuperação do peso, pode-se dizer que é a “visita” regular à balança. “A gente tem trabalhos mostrando que indivíduos que têm o hábito de se pesar periodicamente, conseguem manter o emagrecimento de maneira mais eficiente. Quando a pessoa para de se pesar, ela perde o controle”, comenta ele. E o horário mais preciso para isso, segundo o especialista, é de manhã cedo, antes do café e depois do primeiro xixi, quando não há nenhuma interferência de líquidos ou alimentos.