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21/04/2014 14:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Copa do Mundo 2014: voluntários estrangeiros contam sobre suas expectativas para o evento

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Sim, vai ter Copa. E vai ter muito gringo chegando no Brasil também. Mas nem todos são turistas. Entre os mais de 20 mil inscritos no programa de voluntariado da Copa do Mundo, cerca de três mil eram estrangeiros.

Segundo o planejamento inicial, entre os meses de abril e maio, a Fifa deve realizar um treinamento com os selecionados pela entidade para os postos de trabalho nas 12 cidades-sede no país.

Questionados por muitas pessoas pelo interesse em trabalhar em um evento que dividiu as opiniões do país, os voluntários estrangeiros da Copa do Mundo certamente não fazem parte do time do “não vai ter Copa” -- são, na sua maioria, jovens engajados com o evento e que aproveitarão para conhecer um pouco da cultura brasileira.

Conversei com alguns deles para saber quem são, o que pensam a respeito do Brasil e qual seu envolvimento no maior evento de futebol do mundo.

Juan Ernesto Ayala - Peru

Juan é um jovem peruano de 23 anos de idade. Como muitos nativos de seus país, ele é apaixonado por futebol desde jovem, uma vez que o esporte é super popular por lá também. “Desde que tenho memória lembro que jogava futebol sozinho todos os dias no jardim da minha casa”. Ele é fã de Paolo Guerrero, atacante do Corinthians, e entre os brasileiros é fã do lateral Marcelo.

A escolha do peruano pelo voluntariado durante a Copa do Mundo tem a ver com um trabalho anterior: ele já trabalhou na Eurocopa. “Isso foi em 2012, na Polônia, na cidade de Varsóvia. Eu cheguei até a UEFA através do seu website. Já com a FIFA foi por meio de um grupo no Facebook de voluntários que trabalharam durante a Eurocopa. Cadastrei-me como voluntário porque vou ter a oportunidade de participar de uma manheira diferente: estando dentro do evento!”

Poucas preocupações passam pela cabeça de Juan quando o assunto é Copa do Mundo no Brasil. Questionado sobre possíveis manifestações, ele diz saber pouco, mas imagina que haverá sim protestos nas ruas.

Kosma Korwin-Piotrowski - Polônia

Kosma é um polonês de 26 anos que vive em Hamburgo, na Alemanha. Diferente de Juan, não é apaixonado por futebol desde pequeno: seu interesse pelo esporte apenas apareceu a partir dos 12 anos de idade, quando aprendeu a jogar bola no colégio.

Atualmente a relação de Kosma com o futebol se dá com os jogos do time de sua cidade natal, Hamburgo -- ainda que seu time predileto seja o Real Madrid. Para ele, o futebol do Brasil “é um modelo na Alemanha”. Ele conta que os jogadores brasileiros muitas vezes são chamados de “magos da bola” pelos alemães. Mesmo com toda essa admiração, Kosma não titubeia ao apostar na seleção campeã da Copa 2014: Alemanha.

O interesse em trabalhar para a Fifa surgiu por um motivo muito simples: Kosma é apaixonado por eventos esportivos -- estudou administração e já tem prática com esse tipo de evento. Como Juan, já trabalhou como vonluntário em uma edição da Eurocopa e não se importa em não receber nada por trabalhar em um evento esportivo. “Quero sentir o evento de perto e quero contribuir com a Copa e ajudar o país a realizá-la”.

Para o jovem europeu há lados bons e ruins na realização de uma Copa. “O país se prepara para receber as pessoas apenas durante os meses de realização do evento, isso traz efeitos positivos para o turismo. Mas o país pensa apenas nas pessoas que chegam ao país e ficam por pouco tempo, não nas pessoas que moram nele. Há efeitos negativos, como o aumento dos preços e comunidades carentes estão sendo removidas”. Kosma fala ainda sobre o legado da Copa do Mundo no seu país: “na Alemanha nada mudou porque toda a infraestrutura e os estádios já estavam por lá. Agora, criar um lugar para receber pessoas é ruim quando isso afeta os moradores dos locais que são afetados pela Copa”.

Quando questionado sobre protestos durante a Copa, Kosma acha que elas não devem acontecer: “Não! Durante a Copa tudo será perfeito. Os protestos pareciam enormes pela televisão, mas duraram pouco -- apenas até o próximo escândalo acontecer”.

Yollanda Violeta-Flor Hlungwane - África do Sul

Representante da África do Sul, Yollanda terá 26 anos de idade até a Copa do Mundo. Mora em Port Elizabeth e nunca jogou futebol (o que não impediu que o esporte se tornasse o seu predileto). Yollanda torce para o Orlando Pirates, um dos principais times de seu país.

A jovem sul-africana está triste porque a África do Sul não se classificou para a Copa de 2014. Entre os jogadores brasileiros que conhece, Ronaldinho e Ronaldo Nazário estão entre os seus prediletos.

Yollanda trabalhou como voluntária durante a Copa do Mundo de 2010, que aconteceu em seu país. A jovem entrou em contato com a Fifa através da internet e espera encontrar muitos voluntários de diversos países para aprender com as diferentes culturas que encontrará.

A jovem sul-africana fica feliz com a realização da Copa do Mundo on Brasil e espera não encontrar protestos nas ruas das cidades-sede que trabalhar. “Espero que os protestos parem de acontecer antes da Copa começar. Rezo para que mais nenhuma vida seja retirada por conta de algum protesto de rua. Espero que nada atrapalhe esta feliz experiência de todos os voluntários durante a Copa do Mundo”.

Dylan Prescott - Estados Unidos

Dylan Prescott vem do Colorado, Estados Unidos e tem 22 anos de idade.

Diferente de outros jovens americanos, que dão preferência para o basquete ou o baseball, Dylan teve seu primeiro contato com o futebol aos cinco anos de idade e, desde então, nunca deixou de praticar o esporte. É torcedor do Manchester United. Como já morou no Brasil durante um ano, o jovem americano diz que "adora o futebol brasileiro. Ataque! Ataque! Ataque!". Entre os times brasileiros é fã do Corinthians. "Sou muito fã do Romarinho: ele marcou um gol no primeiro jogo que eu assisti do Corinthians, aquela partida contra o Boca Juniors".

Dylan sabe que as chances dos Estados Unidos na competição são baixas "afinal, caímos no grupo da morte". Diz que deve chegar no Brasil em maio e que quer "tentar ficar o máximo possível depois da Copa do Mundo, afinal o Brasil é a minha segunda casa" conta empolgado.

Perguntado sobre a Fifa, Dylan dispara: "é uma instituição corrupta e que preocupa-se apenas com o dinheiro". Para o americano, a Copa significa a união das pessoas e a diversão para quem gosta de futebol, mas para a Fifa, significa apenas lucros financeiros. "O Brasil quer usar a Copa como uma demonstração de poder e esconder as favelas, a pobreza e os problemas sociais. Quer mostrar para as pessoas apenas os belos hotéis e os estádios" comenta Dylan.

Sobre os possíveis protestos, Prescott quer ver o circo pegar fogo: "acho que haverá protestos, aliás, espero que eles aconteçam. O Brasil está gastando bilhões de dólares com a Copa e tem problemas sérios de educação, saúde e segurança pública. As necessidades das pessoas não estão sendo atendidas e elas devem demonstrar a sua indignação. Na minha opinião isso seria um desastre: todos estariam prestando atenção na Copa, mas aí quando acontecessem os protestos e os confrontos com a polícia, todos veriam o que está realmente acontecendo no Brasil"