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18/04/2014 13:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Descubra como seria a vida do seu cachorro sem ração

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Faz mais ou menos uns quatro meses que não entro em um pet shop para comprar ração para as minhas cachorras. Os motivos que me levaram a essa decisão e os efeitos que ela já provocou aqui em casa é exatamente o que gostaria de compartilhar hoje com você.

Desde que adotei a Sofia, onze anos atrás, percebi que ela não gostava de ração. Cheguei a testar várias marcas e nada. Nenhum sinal de aprovação do cardápio. Mas minha rotina, ainda morando em São Paulo, era bem atribulada e a ração era o que havia de mais prático ou possível para mim naquele período. Para compensar a carinha de insatisfação e disfarçar o sabor da ração, eu acrescentava sempre um caldinho de carne ou uns pedacinhos de frango no pratinho – que eram devorados rapidamente, entre uma e outra bolinha de comida industrializada.

Durante todo esse tempo, a Sofia teve refeições sem graça, nas quais não demonstrava ter muito apetite, alegria ou entusiasmo para comer. No caminho, consultei alguns veterinários, que foram categóricos em dizer que nada substitui uma boa ração, que os fabricantes é que sabem equilibrar a dose certa de nutrientes, que as pesquisas evoluíram muito, e tal e tal. Parênteses: se fosse apenas por esses motivos, nós humanos já teríamos aderido às pílulas com todos os nutrientes de que precisamos diariamente. Comida é muito mais que isso, não?

Bom, em 2012, adotei a Naná, a segunda vira-lata da casa – esta, sim, cheia de apetite. Mas não para ração… Da mesma forma que a Sofia, a Naná parecia não fazer questão da comida. Apenas quando o passeio era mais longo do que o habitual ou a refeição atrasava um pouco, por causa de alguma demora minha em voltar para casa, é que elas davam conta de comer tudo – e, mesmo assim, era necessário misturar algo mais saboroso ao prato: um restinho de caldo de legumes, umas tirinhas de carne ou algo do tipo.

Com a minha mudança de São Paulo para a ecovila, alguns hábitos puderam ser revistos. E eu estava disposta a isso. Nos últimos anos, comprar ração com aquele “T” de transgênico era um imenso desgosto para mim, que estava levando uma dieta cada vez mais baseada em alimentos orgânicos. O que não quero para mim, não quero também para minhas cachorras. Se considero que não é saudável (até que realmente provem o contrário), prefiro não oferecer a ninguém, nem aos pets.

Pois bem. Li alguns artigos de veterinários mais alternativos, que defendem uma alimentação natural para cães e gatos (como sugestão, vale a pena dar uma olhadinha no site Cachorro Verde). Fiquei pensando sobre como deve ser chato ter um faro absolutamente poderoso e comer sempre a mesma coisa, todos os dias. Lembrei-me do quanto as refeições são parte importante do nosso cotidiano cheio de tarefas e compromissos. Agora, imagine só para um cão, que tem uma rotina, em geral, mais calma, menos apressada. Cada atividade é vivida intensamente, no presente, no aqui e agora. Como deve ser chato comer sempre a mesma coisa, com o mesmo cheiro, a mesma textura, o mesmo sabor!

Resolvi arriscar. Decidi fazer um teste durante algum tempo, monitorando o comportamento das meninas. E foi o que fiz. O primeiro cardápio teve arroz integral com cenoura, abobrinha e salsinha, além de carne desfiada com caldinho. Preciso dizer que elas amaram? Foi uma alegria! Vi os olhinhos delas brilhando, rabo balançando intensamente, uma agitação gostosa de quem sente prazer com todos os sentidos.

Passei a cozinhar paneladas de arroz com legumes e carne, variando um pouco nos ingredientes, para não enjoar e evitar a falta de algum nutriente importante. Às vezes, pico umas folhas de espinafre ou couve no arroz a ser preparado, mudo um pouquinho as opções de legumes e ervas para temperar (já usei berinjela, abóbora, serralha, folhas de cenoura etc.).

A hora da refeição – pela manhã e à noite – virou ponto alto do dia, mais até do que os passeios pela ecovila. No início, tive receio de alguma mudança no peso, mas isso não aconteceu. Na verdade, algumas pessoas até disseram que a Naná (que andava meio rechonchuda) tinha emagrecido ou desinchado. Fato é que ela ficou com cara e comportamento de cão ainda mais saudável.

O pelo das duas melhorou, ficou mais brilhante, viçoso. O humor e a disposição, então, nem se fala. Ambas estão saltitantes, parecem sorrir à toa. Nunca mais tive que jogar comida no lixo (isso acontecia com certa frequência, de sobrar um pouquinho de ração no prato e acabar na composteira). A Sofia, curiosamente, passou a adorar frutas. Come banana, mamão, maçã, melancia, melão e até laranja. O apetite dela parece ter sido despertado após um longo e tenebroso inverno…

Duas semanas atrás, levei a mais velha à veterinária. Já estava esperando que ela fizesse críticas à minha decisão de trocar a ração por comida. Mas, surpreendentemente, ela até elogiou a condição geral da Sofia, disse que eu podia ficar tranquila, que estava tudo certo. Ficou apenas de recomendar ou sugerir um suplemento vitamínico, apenas para garantir que não falte nada essencial (posso compartilhar mais sobre isso, mais adiante, quando eu tiver novidades).

Transgênico aqui em casa, nunca mais. Cachorro comendo sem prazer também não existe mais. Andei pensando até em lançar uma campanha engraçada: slow food para pets… Sugestão da Naná e da Sofia, que agora viraram ótimas no “garfo”…

Você pode me questionar de diversas maneiras: Mas não dá muito trabalho? Não exige muito tempo na cozinha? Se nós comemos comida de minuto, feita no micro-ondas, como é que eu vou ter tempo de preparar refeições caninas? Pois isso tudo é uma questão de priorizar aquilo que é realmente importante para nós. Tem gente que come comida enlatada ou fast food e depois fica horas na frente da tv, moscando.

Prefiro investir tempo em tarefas que nos deixam mais saudáveis, mais dispostos, mais vivos. Hoje em dia, preparo comida para as cachorras aos domingos e quintas-feiras. Divido tudo em potinhos e coloco na geladeira e no congelador. Assim, durante a semana, fica mais fácil administrar as refeições delas, não passo mais tempo na cozinha e sinto, de verdade, o quanto elas me agradecem por esse cuidado. Se você é apaixonado pelo seu pet, que tal experimentar?

Foto: Deu para sentir a satisfação da hora de comer? É assim todo dia. Quando a Sofia e a Naná percebem que estou preparando a refeição delas, correm para pegar o prato e aguardar por perto, na maior alegria…