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17/04/2014 21:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Aécio Neves exalta feitos pessoais para se colocar como "o nome" de oposição contra Dilma

LEVY RIBEIRO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O senador Aécio Neves (PSDB) passou dez minutos, em cadeia nacional de TV, tentando incutir uma única coisa na cabeça dos brasileiros com direito a voto nas eleições de outubro: é ele “o nome” de oposição contra a presidente Dilma Rousseff. Para convencer a todos disso, o tucano exaltou os próprios feitos no governo de Minas Gerais, se colocou como um político plural e atento aos anseios da população na atualidade. Não faltaram críticas ao governo, é claro.

Como vem fazendo no Congresso Nacional, Aécio pontuou várias vezes a existência de denúncias contra a Petrobras. Além disso, despejou argumentos direcionados ao que ele chama de “falta de planejamento” que estaria imperando hoje no governo federal, com os exemplos da Transposição do Rio São Francisco e da Transnordestina – não por acaso, duas obras em andamento na região Nordeste, onde ele quer crescer na preferência do eleitorado.

Além disso, Aécio procurou minimizar um “maniqueísmo” que divide o cenário político entre azul ou vermelho, entre tucanos e petistas – algo claramente direcionado a quem não quer votar em um desses dois partidos, procurando outra alternativa. O mineiro se colocou como “a voz” com condições de realizar as mudanças que as pesquisas e as ruas vêm sinalizando nos últimos meses.

“É nossa obrigação resgatar a confiança da sociedade em seus governantes, com seriedade e muito amor ao Brasil”, disse Aécio, já na parte final do programa eleitoral. O tom agregador, evitando ao máximo qualquer oportunidade de gerar uma rejeição deliberada, certamente faz sentido, sobretudo se lembrarmos que foi cogitada a possibilidade do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participar, o que acabou não acontecendo.

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De Minas, o tucano diz trazer a experiência e a grande aprovação popular dos seus oito anos na condução do Estado. E ele já elegeu um "carro-chefe" do seu sucesso: a educação. Não esqueceu, claro, de abordar a sua gestão e o cuidado com os gastos públicos, enxugando a máquina pública.

Se a última pesquisa Ibope mostra que o senador do PSDB possui o grosso do seu eleitorado nas classes mais abastadas, ele procurou tentar obter a simpatia da população de baixa renda ao apontar que a inflação é uma preocupação séria, e que pode atuar negativamente em programas assistencialistas, como o Bolsa Família. “Há mais de um ano eu venho dizendo: tomem cuidado com a inflação, e o governo finge que nada está acontecendo”, criticou.

Aécio também tentou abrir um canal de diálogo com a nova geração – abrindo o programa com um jovem negro, se colocando em encontros com adolescentes da periferia e se dizendo ciente dos pedidos vindos das ruas no ano passado –, sem esquecer de falar com os mais velhos, lembrando dos feitos do avô, o ex-presidente Tancredo Neves, que morreu antes de assumir o mandato, em 1985, após 21 anos de ditadura militar. Foi o momento de maior drama do programa tucano.

Em nenhum momento Aécio direcionou seus ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou aos adversários na própria oposição, como Eduardo Campos e Marina Silva (da chapa do PSB). Até aí, nenhuma surpresa: a ideia é de agregar e ganhar simpatia. Até que tenha início, de maneira oficial, a campanha eleitoral – o que ganha corpo após as convenções partidárias, em julho –, o tucano tentará se apresentar como a alternativa para o alto número de pessoas que hoje dizem que votariam em branco, que anulariam ou que não sabem.

Mesmo com a sequência de quedas, Dilma não vê a oposição ganhando diretamente a preferência daqueles que estão apontando que não votarão nela em outubro. É nisso que Aécio deve atacar, de olho na possibilidade cada vez mais crível de um segundo turno. Resta saber se será mesmo ele o escolhido, dentre as opções que se colocam até aqui.