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14/04/2014 10:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Eleições 2014: Eduardo Campos e Marina anunciam candidatura a presidente e a vice

Estadão Conteúdo/15.mar.2014

Quando Marina Silva, em outubro de 2013, anunciou sua filiação ao PSB e seu apoio às pretensões presidenciais de Eduardo Campos, a surpresa foi geral e imediatamente surgiram dúvidas e questionamentos sobre quem viria a ser de fato o candidato do partido à Presidência da República.

O jovem governador de Pernambuco, muito bem avaliado em seu Estado mas pouco conhecido no resto do país, neto de Miguel Arraes, um dos símbolos da esquerda brasileira, com cara de político promissor e intensos olhos azuis? Ou a mundialmente famosa ambientalista, ex-senadora pelo PT e ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, que obteve 19,6 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010, quando foi candidata a presidente pelo PV (Partido Verde) e terminou em terceiro lugar?

Essas dúvidas terminaram nesta segunda (14), com o anúncio de que Marina será mesmo candidata a vice-presidente na chapa de Campos. A oficialização aconteceu em um evento às 14h no Hotel Nacional, em Brasília, que reuniu políticos, intelectuais, músicos e escritores, como o pernambucano Ariano Suassuna, tradicionalmente ligado ao PT, mas que já declarou apoio a Campos. Às 17h30, Eduardo e Marina participarão de um chat ao vivo com internautas nas redes sociais.

Afinal, desde que o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o registro do partido que ela pretendia criar, a Rede Sustentabilidade, Marina, apesar de ter recebido a oferta de diversos outras agremiações para ser ela mesma candidata a presidente, sempre disse que, ao optar por se filiar ao PSB, implicitamente já estava apoiando Campos para presidente.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no início de abril, Marina obteve 27% das intenções de voto e seria a única candidata a presidente que levaria a disputa contra a atual presidente Dilma Rousseff (PT) ao segundo turno. Eduardo Campos, que acaba de renunciar ao Governo de Pernambuco para disputar as eleições, teve apenas 10% das intenções de voto na mesma pesquisa.

O que Marina viu em Eduardo para abrir mão de suas próprias aspirações presidenciais e apoiá-lo? Não se sabe ao certo, e só a campanha dirá se ela está certa, mas uma das hipóteses levantadas por analistas políticos é a de que Marina deseja, mais do que tudo, derrotar a presidente Dilma Rousseff, sua rival desde que ambas eram ministras do Governo Lula e tiveram vários embates políticos.

Dilma, então ministra da Casa Civil, defendia diversos projetos de desenvolvimento, como a construção de hidrelétricas e outras obras com possíveis custos ambientais, sob o argumento de que eram essenciais para o crescimento econômico do país. Marina defendia o meio ambiente em primeiro lugar.

Em vez de concorrer à Presidência pessoalmente, em um partido que não seria o seu, Marina preferiu jogar suas fichas na pré-candidatura de Campos. Quando anunciou apoio a ele, há cerca de seis meses, Marina disse que o Brasil precisava de uma alternativa à polarização entre PT e PSDB, que vem dominando a política brasileira desde os anos 1990, e que Eduardo Campos era a melhor opção.

Para reforçar esse discurso, ela tenta vetar alianças do PSB com o PSDB em diversos Estados importantes, entre eles São Paulo, onde o partido de Campos praticamente já havia fechado o apoio à reeleição de Geraldo Alckmin. Segundo informações surgidas nos últimos meses, Marina teria condicionado sua presença como vice na chapa de Campos a candidaturas próprias em SP e em outros estados.

Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo, o PSB e a Rede (futuro partido de Marina, que ainda pretende registrá-lo) ainda têm divergências sobre candidaturas em nove estados. Em São Paulo, não há acordo sobre quem será o candidato.

Há também muitas dúvidas sobre o programa de governo da dupla Eduardo-Marina. Nos últimos meses, os dois grupos políticos tiveram vários encontros programáticos e, em fevereiro, foi lançado em Brasília as diretrizes de um futuro programa, com cinco eixos principais. Há, no entanto, mais dúvidas do que certezas sobre a viabilidade de, juntos, construírem um programa de governo que realmente faça sentido.

Marina é tradicionalmente avessa ao avanço do agronegócio no Brasil e defende novas formas de fazer política, em grande parte baseada na participação via redes sociais. Sua campanha em 2010, aliás, foi focada na internet. Campos sempre teve boas relações com o agribusiness e os meios empresariais e, embora seja um político jovem e com muitas possibilidades em aberto, tem fortes vínculos com políticos tradicionais de Pernambuco, a começar pela herança de seu avô.

Há mais interrogações do que respostas na trajetória que ambos começam a percorrer juntos nesta segunda-feira, 14 de abril. Mas uma coisa parece certa: mais do que uma chapa tradicional em que o candidato a presidente é o que importa e o vice é apenas um coadjuvante, Eduardo e Marina vão tentar vender ao eleitorado a ideia de que são realmente uma dupla e governarão juntos.

O desafio será transferir as intenções de voto de Marina para Campos e, juntos, conseguirem se viabilizar como uma alternativa concreta para o país. Com pouco tempo de TV no horário eleitoral gratuito em comparação com os adversários, Eduardo e Marina precisarão não apenas evitar a vitória de Dilma no primeiro turno como reunir mais votos do que Aécio Neves, provável candidato do PSDB, e garantir lugar no segundo turno.

Até aqui Marina cumpriu sua palavra. Resta saber se a sua aposta no jovem político pernambucano renderá os frutos que ela imaginou.

(ATUALIZADO ÀS 15h58): Com a aliança oficializada, Campos espera capitalizar parte dos cerca de 20 milhões de votos obtidos por Marina na eleição presidencial de 2010.

(Com Reuters)