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14/04/2014 14:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Dilma contra-ataca: 'a Petrobras resistiu às tentativas de desvirtuá-la, de reduzi-la e privatizá-la'

DIEGO NIGRO/ESTADÃO CONTEÚDO

Diante da artilharia da oposição contra possíveis irregularidades na Petrobras, a presidente Dilma Rousseff decidiu contra-atacar. Ela aproveitou a cerimônia da viagem inaugural do navio petroleiro Dragão do Mar, em Ipojuca (PE), para mandar um recado aos adversários políticos e à população brasileira. "Está errado quem diz que a Petrobras está perdendo valor e importância no Brasil", disse. "Não ouvirei calada a campanha negativa daqueles que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem da empresa."

A estatal enfrenta um momento bastante turbulento por causa da série de suspeitas de contratos irregulares, prisão de um ex-diretor e redução em seu valor de mercado. "Não deixarei de combater corrupção, malfeito ou ilícito de qualquer espécie, seja de quem quer que seja", esbravejou Dilma, que prometeu rigor na apuração e, se necessária, a punição de envolvidos.

Além da ameaça de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias na Petrobras, novos indícios de corrupção têm vindo à tona. A Folha de S. Paulo apontou que empresas ligadas à Petrobras faziam repasses de dinheiro a políticos. Segundo a Veja deste fim de semana, o ex-diretor preso pela Polícia Federal (PF) Paulo Roberto Costa está envolvido com políticos em um "consórcio criminoso" que fraudava contratos na Petrobras e financiava partidos.

Paulo Roberto Costa foi preso durante a Operação Lava Jato da PF. Ele chegou a receber um carro de luxo do doleiro Alberto Yousef, figura-chave do esquema de lavagem de dinheiro desmantelado pela operação. As quadrilhas movimentaram mais de R$ 10 bilhões.

O discurso de Dilma adquiriu tom político em outros momentos. A presidente alfinetou o PSDB e insinuou que o governo de Fernando Henrique Cardoso pretendia privatizar a Petrobras. "[Os tucanos] Diziam que havia petróleo demais, riqueza demais e que, por isso, toda essa riqueza não podia ficar nas mãos de uma empresa pública, ou seja, nas mãos do povo. De forma muito sorrateira, prepararam todo um processo que, se não interrompido, acabaria por conduzi-la fatalmente a mãos privadas", disse Dilma.

"De tão requintado esse processo, chegou a fazer parte até a troca do nome, que seria Petrobrax sonegando a sílaba q é nossa identidade e nossa nacionalidade: “bras” de Brasil. Com apoio de todas as pessoas, a Petrobras resistiu às tentativas de desvirtuá-la, de reduzi-la e privatizá-la", contra-atacou.

Graça Foster no Senado

A presidente da Petrobras, Graça Foster, também participou da cerimônia em Ipojuca. Amanhã (14) ela partipará de audiência no senado para tratar do caso Pasadena. A refinaria no Texas, nos Estados Unidos, foi comprada pela estatal em 2006, avalizada pela então ministra Dilma, como presidente do conselho de administração da Petrobras. Graça participaria de um debate na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara sobre Pasadena, mas cancelou essa participação, segundo a Agência Câmara.