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11/04/2014 16:30 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Maurício de Sousa publica foto a favor da publicidade infantil e revolta seguidores

JULIANA KNOBEL/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma semana depois de o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovar a resolução 163, que considera abusiva e ilegal, segundo o Código de Defesa do Consumidor, toda “prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”, Maurício de Sousa se manifestou de maneira infeliz no Instagram e revoltou os seguidores.

Na manhã desta sexta-feira (11), o cartunista publicou em sua conta a imagem de uma menina “reivindicando o direito” de assistir à publicidade infantil, seguida da seguinte legenda: “Protesto da menina Verônica contra a proibição da publicidade infantil.”

mauricio

A declaração, logo, gerou uma série de comentários negativos por parte dos seus seguidores.

Isto, faz propaganda de refrigerante em formato de champanhe. Incentiva o consumo de maquiagem, de remédios ou marca de remédios com os logos da Mônica. Tem muitos porcos escrotos neste país. - @nivasvizioli

E Maurício, coloque seus pontos de vista. A indústria infantil precisa da propaganda? Pode ser. Mas as crianças precisam de propaganda? Não Maurício, acho q não. Não decepcione uma geração toda q ama o Cebolinha, o Chico Bento, a Magali. Pela qualidade do teu trabalho apresentei teus personagens aos meus filhos. Não precisou de propaganda. Quem deve decidir o que consome uma criança são os pais, não eles, indefesos. Atenção Maurício. Corrija isso. Abs - @mariodaloia

Mauricio, vc é um homem que sempre teve meu carinho e admiração. Pena isso cair por terra de maneira tão chula. Ok, vc deve ter seus interesses na publicidade dos seus produtos, mas sua atitude me cheira a golpe baixo. Exponha a sua cara então segurando um cartaz dizendo: "eu quero vender e criar pessoas consumistas. Não me importo que elas pautem todas os seus anseios e metas de vida sob o viés do consumo. Que desenvolvam problemas psicológicos, que passem por cima de outras pessoas, que se fodam! eu só quero saber do meu direito de ganhar muito dinheiro". - @juuubaa

“A resolução põe fim a uma série de abusos gerados pela publicidade dirigida ao público infantil, utilizando as vulnerabilidades da faixa etária", disse o advogado do Instituto Alana, de São Paulo, e conselheiro do Conanda, Pedro Hartung, à Agência Brasil. “Ela é um marco histórico para a proteção dos direitos da criança no Brasil”. E é contra esta conquista que Maurício se coloca em seu comentário. Afinal, a medida pode interferir diretamente em seu bolso. De acordo com informações do jornal O Estado de São Paulo, de 2012, a marca do cartunista tem mais de 3 mil produtos licenciados, que geram um faturamento de 2,7 bilhões de reais por ano.

De qualquer maneira, a partir de agora, está proibido o direcionamento à criança de anúncios impressos, comerciais televisivos, spots de rádio, banners e sites, embalagens, promoções, merchadisings, ações em shows e apresentações e nos pontos de venda. É o fim do apelo imperativo do consumo traduzido em frases, como “Peça para a mamãe ou para o papai...”, “Faça como eu, use...”.

O texto considera também a proibição de qualquer publicidade e comunicação mercadológica no interior de creches e escolas de educação infantil e fundamental, inclusive nos uniformes escolares e materiais didáticos.

Ficou puxado para a Turma da Mônica.

ATUALIZAÇÃO

Horas - e muita polêmica - depois, Maurício de Sousa deletou a imagem de sua conta do Instagram e publicou uma retratação: "Oi, pessoal. Hoje reproduzi em uma rede social uma foto que uma fã me enviou, referente a publicidade infantil. Como sempre valorizei a voz das crianças, nesses mais de 50 anos de trabalho, fiz por impulso, mas isso gerou uma série de interpretações errôneas. Há mais de 40 anos, minha empresa faz, sim, publicidade de produtos que levam a marca dos meus personagens. Sempre de maneira responsável e criteriosa, porque nossa preocupação constante é o respeito à criança. Inclusive, nossa revista de maior tiragem até hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi distribuída gratuitamente para mais de 26 milhões de famílias no Brasil. Sempre trabalhei para o público infantil. Em milhares de campanhas, ações sociais, revistas, peças de teatro, filmes de TV e cinema e também produtos. Penso que é justamente por isso que meus personagens são tão queridos há mais de quatro gerações. Assim, a fim de evitar mal-entendidos, optei por deletar a imagem que postei mais cedo."