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08/04/2014 19:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Processo contra André Vargas será aberto nesta quarta-feira; relator não descarta "manobra"

Joel Rodrigues/Frame/Estadão Conteúdo

O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), afirmou nesta terça-feira (8) que não descarta uma manobra regimental por parte do PT para adiar a instauração do processo disciplinar contra o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR).

"Acho que estão preparando alguma coisa porque toda hora vai alguém do PT da área jurídica lá no conselho questionando um determinado ponto do regimento. Regimentalmente pode acontecer qualquer coisa", disse Izar.

A sessão de instauração do processo contra Vargas está prevista para começar no colegiado nesta quarta-feira, 9, às 14h. "Estou ligando um a um para estarem amanhã na reunião", afirmou o presidente do conselho.

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PSDB, DEM e PPS protocolaram nesta segunda-feira (7) uma representação pedindo a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o petista que no mesmo dia licenciou-se por 60 dias após novas revelações sugerirem uma sociedade entre o parlamentar e o doleiro Alberto Yousseff, preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. O processo com previsão de durar 90 dias úteis no Conselho pode levar à cassação do parlamentar.

No início da tarde, Izar afirmou à reportagem que vem sofrendo pressão de integrantes do PT e de outros partidos para adiar a discussão no Conselho para a próxima semana. "Nenhuma chance de ser adiada a discussão no conselho. Muita gente procurou, pediu, mas a gente tem que tocar para frente esse processo e apurar o mais rápido possível", afirmou o deputado. Ele disse contar com o apoio do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para dar prosseguimento ao processo.

Questionado sobre a avaliação do caso de André Vargas, Izar respondeu: "É assustador. Não posso colocar uma opinião minha agora como presidente, mas, se o que está sendo colocado for verdade, é no mínimo preocupante".

Só renúncia evita processo

Para evitar a abertura do processo, só resta ao petista renunciar ao mandato. “A partir do momento que é aberto o processo, o deputado já entra na questão da Lei da Ficha Limpa, então, caso ele renuncie até as 14 horas, o processo não tem continuidade. Se a gente abrir a representação, aí a partir desse momento, ele renunciando ou não, o processo continua até o final”, explicou Izar.

A expectativa é de terminar o processo antes do recesso parlamentar, marcado para o dia 18 de julho. Depois de ser analisado no Conselho de Ética, o processo contra o deputado André Vargas vai para o Plenário da Câmara, onde será analisado pelo sistema de voto aberto.

“A tendência agora, com o voto aberto, é que o Plenário acompanhe o relatório do Conselho de Ética. A gente viu em outros casos que o Conselho de Ética muitas vezes pedia por um relatório e ele era rejeitado aqui dentro do Plenário. O voto aberto serviu para melhorar isso e dar mais transparência para tudo”, completou Izar.