NOTÍCIAS
07/04/2014 21:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Dólar inicia semana com menor valor desde outubro de 2013

shyb/Flickr
dollar close UP

O dólar recuou fortemente nesta segunda-feira e fechou no patamar de R$ 2,22, menor nível desde o fim de outubro passado, com a constante atuação do Banco Central no mercado e após pesquisa mostrar queda na intenção de votos da presidente Dilma Rousseff para as eleições de outubro.

É o segundo dia consecutivo em que o tombo da moeda supera 1 por cento, levando os agentes do mercado a acreditar que o patamar de R$ 2,20 pode ser furado, tornando-se um aliado ainda maior no combate à inflação elevada. Mas, acrescentam, é cedo para afirmar que o dólar se firmaria neste nível.

A divisa norte-americana recuou 1,06% a R$ 2,22 na venda, após fechar a sessão anterior com baixa de 1,70%. É o nível mais baixo no fechamento desde 30 de outubro, quando terminou o dia a R$ 2,19 reais.

Na mínima deste pregão, o dólar chegou a R$ 2,21 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,4 bilhão de dólares.

"Em condições normais, não haveria por que o mercado testar os 2,20 reais, mas com o atual humor e o Banco Central continuando a vender dólar, é para lá que estamos caminhando", disse um operador de câmbio de um importante banco nacional.

Histórico

A moeda norte-americana vem recuando fortemente nas últimas semanas em meio à melhora no apetite global por ativos de mercados emergentes e o quadro de fluxo cambial positivo no Brasil.

O mercado se questiona, no entanto, se o dólar tem fôlego para furar a barreira dos R$ 2,20 e se sustentar naquele nível. As perspectivas econômicas do Brasil seguem preocupantes e tendem a pressionar a moeda para cima, mas a principal dúvida é se o Banco Central permitirá que a divisa dos EUA fique ainda mais barata, possivelmente prejudicando as exportações.

"Se o BC continua vendendo dólares nesse patamar, o mercado interpreta que ele ainda está confortável com essa taxa de câmbio e abre espaço para que o mercado continue testando novos pisos", afirmou o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo. Mesmo dentro deste terreno o banco JPMorgan demonstrou confiança e revisou sua projeção para a cotação do fim deste ano para R$ 2,40, ante previsão de R$ 2,50.

Ação governamental

O que tem empurrado para baixo o valor da moeda americana tem ligação com o cenário político que se desenha com a proximidade das eleições. Uma pesquisa do Datafolha publicada no fim de semana aponta que Dilma conta com 38% das intenções de voto, ante 44% na pesquisa de fevereiro. Mesmo assim, ela conseguiria se reeleger no primeiro turno.

As notícias vêm num momento em que os mercados financeiros mostram-se céticos em relação à condução da política econômica no país. "Daqui em diante, espere uma reação 'más notícias são boas notícias' dos mercados", escreveu em relatório o chefe de pesquisa para mercados emergentes do banco Nomura, Tony Volpon.

Fechamento em alta

A Bovespa teve alta nesta segunda-feira e retomou o patamar de 52 mil pontos, encerrando no maior nível desde o fim de novembro. A pesquisa de intenção de voto e o fluxo de capital estrangeiro podem ter impulsionado os ganhos. Petrobras e Banco do Brasil, ambas estatais, dispararam e foram os destaques do dia.

com Reuters e Estadão Conteúdo