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06/04/2014 19:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Ocupação do Complexo da Maré pelo Exército registra o primeiro ferido no Rio

Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Um jovem identificado como Cláudio Brum dos Reis, de 22 anos, foi ferido durante um confronto entre traficantes de facções rivais na divisa entre as favelas Nova Holanda e Baixa do Sapateiro, no complexo de comunidades da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (6). Segundo a Agência Brasil, o seu estado de saúde é grave. Ele é o primeiro ferido desde a ocupação da área por 2.700 homens do Exército e da polícia, ocorrida no sábado (5).

Reis mora na Nova Holanda e, segundo o Exército, saiu da cadeia há dois meses. A agressão não foi presenciada pelos militares, chamados por moradores que viram o rapaz caído em uma vala. Ele foi socorrido e levado ao hospital. Enquanto militares aguardavam a chegada do Samu para prestar socorro ao ferido, integrantes das facções rivais se reuniram e houve uma tentativa de confronto, segundo o Exército. Para evitar a briga e dispersar as pessoas, os militares dispararam tiros para o alto e usaram gás de pimenta. Ninguém foi preso.

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O comandante da Força de Pacificação, general de brigada Roberto Escoto, reconheceu que o fato comprova que criminosos ainda permanecem nas favelas do complexo. “Alguns bandidos abandonaram a Maré, mas outros continuam aqui”, comentou. Segundo ele, os criminosos que permanecem na Maré estão sendo procurados tanto pelos militares que fazem policiamento ostensivo nas 15 favelas do complexo como por agentes do setor de inteligência, que têm tentado monitorar suspeitos.

Fora esse episódio, a presença dos agentes de segurança no primeiro dia de ocupação dos militares praticamente não alterou a rotina das favelas. Bares e igrejas funcionaram normalmente e a primeira partida da final do Campeonato Carioca, entre Flamengo e Vasco, foi acompanhada pela TV e festejada como outras decisões. "Por enquanto não houve nenhuma mudança significativa. As únicas coisas que já mudaram foram a limpeza, que melhorou, e as ligações clandestinas de TV e eletricidade, que acabaram", contou o flamenguista Eduardo, morador da favela Nova Holanda.

Durante todo o domingo, militares caminharam a pé pelas comunidades, acompanhados por um carro de som, distribuindo panfletos em que pedem aos moradores da área pacificada que "sigam as orientações" e "mantenham a calma". Com território de 10 km2 dividido entre duas facções criminosas (Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro) e uma milícia, o conjunto de favelas da Maré reúne 130 mil moradores.