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02/04/2014 13:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Yoga, banheira e orgasmo: descubra como é um parto humanizado

Divulgação

A realidade dos nascimentos no Brasil é um mosaico formado por muito mais Adelires do que Julianas. Adelir Carmem Lemos de Goes foi obrigada pela justiça gaúcha a fazer uma cesariana em um caso polêmico que está repercutindo nas redes sociais. Já a antropóloga mineira Juliana Campos teve seu filho com uma trilha sonora com mantras de yoga, bola de pilates, banheira e sensação de orgasmo.

Ser obrigada pela justiça ainda é algo possivelmente inédito no Brasil, mas muitas gestantes são levadas a acreditar que precisam de uma cesárea, quando pode ser diferente.

Pode ser, por exemplo, como o caso de Juliana, de 28 anos. “Quando eu fiquei grávida, vi que os médicos tradicionais tinham uma posição muito intervencionista, e então percebi que só um parto humanizado seria como eu queria, ou seja, deixar meu corpo agir com menos intervenções possíveis”, afirmou ela ao Brasil Post por telefone.

Como um orgasmo - Juliana teve seu filho na banheira de uma suíte em um hospital em Belo Horizonte, com direito a água quente, hidromassagem, cromoterapia, obstetra, doula e maridão acompanhando tudo. “Considero que quem realmente fez meu parto fui eu, meu filho e meu marido”, diz.

"As contrações doem muito, mas na hora em que você entra em trabalho de parto ativo, a partolândia, tinha tanto hormônio que eu entrei numa espécie de transe, tinha uma sensação muito forte das contrações, uma força muito grande dentro do meu corpo tentando expulsar o bebê. Depois a sensação do bebê descendo de sua bacia e saindo do seu corpo é incrível, é um tipo de orgasmo, é a melhor sensação que tive na minha vida”, diz Juliana Campos.

Juliana acredita que esta é a melhor forma de ter um filho. “A mulher é convencida de que o parto normal é perigoso, que ela não vai conseguir e que ela não é capaz de fazer um parto sem intervenção”, diz.

Protagonismo – Outras mulheres com o mesmo ponto de vista promovem “mamaços” contra o embaraço de amamentar em público e fazem eventos e palestras sobre o assunto. Parte considerável desse grupo está no portal Vila Mamífera, um hub que agrega blogs de obstetras, gestantes e ativistas. “Quando falamos de humanização do nascimento, parto livre, estamos falando em devolver à mulher o seu protagonismo porque o que a mulher não tem hoje é a capacidade de decidir como quer ter seu filho”, disse por telefone ao Brasil Post Kalu Brum, uma das criadoras do Vila Mamífera.

“Como isso é rotina, é considerado normal, é como antigamente as mulheres sofriam violência doméstica e era considerado parte do casamento. O parto poderia ser completamente diferente, respeitoso, amigável”, diz Kalu. Pode ser como o de Juliana e tantas outras que defendem essa causa.