COMPORTAMENTO
02/04/2014 17:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Dia Mundial de Conscientização do Autismo: 8 coisas que você precisa saber sobre este mistério da mente

Timothy Archibald

Estima-se que hoje, uma a cada 110 crianças costuma nascer com autismo no mundo. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas apresentam este Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), que se instala nos três primeiros anos de vida, quando os neurônios responsáveis por coordenar a comunicação e as interações sociais deixam de formar conexões necessárias. Um mistério da mente, que, apesar de muito estudado, ainda é pouco compreendido.

Daí a importância do dia 2 de abril, definido pela ONU como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo para destacar as necessidades de ajudar a melhorar as vidas de crianças e adultos que sofrem com a doença. Elas podem levar uma vida mais significativa. Listamos então oito coisas que você precisa saber sobre esta síndrome, que faz os seus portadores serem conhecidos por se relacionarem com o mundo de maneira bastante singular.

Ainda não há exame específico para o diagnóstico...

Ao contrário da Síndrome de Down, o autismo não pode ser diagnosticado por marcadores biológicos ou exames específicos. A avaliação é feita através da observação direta do comportamento e de entrevista com familiares. Alguns sinais comportamentais dão conta da existência do transtorno:

- falta de interesse em se relacionar com outras pessoas

- ausência de fala ou dificuldade para a comunicação

- repetição de movimentos

- desvios de contatos físicos

- baixa frequência de contato visual

- resistência à mudança de rotina

- preferência pelo isolamento

- apego a determinados objetos

- crises de agressividade

- tendência á hiperatividade

A genética pode influenciar…

Irmãos de autistas têm 25 vezes mais chances de sofrer da síndrome. Entre irmãos gêmeos, essas chances são 375 vezes maiores. E a cada cinco autistas, quatro são homens. De acordo com uma pesquisa do periódico American Journal of Human Genetics, esta discrepância pode estar ligada ao fato de mulheres precisarem de mutações genéticas mais extremas do que homens para desenvolverem distúrbios neurológicos.

Existem dois graus extremos de autismo...

Segundo o Dr. Drauzio Varella, “o espectro do autismo envolve situações e apresentações que são muito diferentes umas das outras”. Em uma das pontas existe o autismo grave, que diz respeito àquelas crianças que nem chegam a falar. Elas se trancam em um mundo à parte, fazem movimentos repetitivos e têm grande dificuldade de manter contatos visuais. Já na outra ponta do espectro existe a chamada Síndrome de Asperger, que diz respeito aos chamados gênios. Este é o caso dos autistas que conhecem um assunto particular com uma profundidade absurda. Normalmente, costumam se sentir atraídos por questões matemáticas, pois gostam de situações em que a resposta é única. Entre um e outro, é possível identificar gradações variáveis de deficiência intelectual.

Quando o QI é alto, eles chegam a surpreender...

Jacob Barnett tem 14 anos, é estudante de mestrado em física quântica e já teve trabalhos em astrofísica vistos por acadêmicos como potenciais ganhadores de futuros prêmios Nobel. “Pare de simplesmente pensar e faça!”, aconselhou em palestra do TEDx.

É comum a imersão em um universo muito particular...

Estímulos extremos às vezes provocam neles reações que nem sempre são compreendidas...

Quando a criança parece feliz e relaxada, mas se repente começa a gritar, significa que ela está fazendo uma filtragem dos sons e quebrando os ruídos e conversas que tem ouvido ao longo do dia. [O cérebro dos autistas funciona de maneira diferente e se sobrecarrega com estímulos externos, como sons, luzes, imagens e cheiros. Gritar, tapar os ouvidos, fazer ruídos ou movimentos repetitivos são uma forma de bloquear esses estímulos e se concentrar em apenas um]. Além dos gritos, você pode nos ver chorando ou rindo, tendo convulsões e até manifestando raiva. É a nossa reação ao, finalmente, entender as coisas que foram ditas e feitas no último minuto, dia ou até mês passado. Sua filha está bem. – explica Carly Fleischmann à uma mãe.

Ainda não existe cura, mas tratamentos são essenciais...

Remédios só são receitados quando existe alguma outra doença associada, como epilepsia e hiperatividade. Mas alguns tratamentos que fazem uso de métodos terapêuticos são necessários para que a criança se desenvolva e tenha uma melhor qualidade de vida. Entram na lista intervenções psicoeducacionais, orientação familiar e desenvolvimento da linguagem e comunicação oferecidos por psiquiatras, psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e educadores físicos. E quanto mais cedo forem iniciados, melhores são os avanços.

Por isso é extremamente importante que cada vez mais sejam criadas políticas públicas voltadas aos autistas. Por enquanto, o que existe de mais específico é a lei n.12.764, conhecida como Lei Berenice Piana, que dá direito ao atendimento especializado, bem como ao acesso à educação e ao mercado de trabalho em instituições públicas e privadas. Ela garante que pessoas com espectro autista não sejam rejeitadas pelos planos privados de assistência à saúde e nem impedidas de serem matriculadas em qualquer instituição de ensino. O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrícula estará sujeito a pagar uma multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos.

Quando estimulados, alguns deles são capazes de desenvolver habilidades extraordinárias...

Stephen Wiltshiere sobrevoou a cidade de Nova York por 20 minutos e foi capaz de reproduzi-la nos mínimos detalhes em um quadro absolutamente incrível. O desenho se transformou na sua melhor forma de expressão.

Iris Grace descobriu aos 4 anos um talento incrível para a pintura.