NOTÍCIAS
02/04/2014 16:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Conselho da Petrobras teve acesso a contrato da compra de Pasadena com 15 dias de antecedência, diz ex-diretor

Google Street View

O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró, responsável pelo resumo executivo sobre a compra da refinaria de Pasadena caracterizado como falho pela presidente Dilma Rousseff, está disposto a dar a sua versão da história.

Por meio de seu advogado, Edson Ribeiro, Cerveró afirmou que os membros do Conselho de Administração da Petrobras receberam uma cópia da proposta de contrato de compra de Pasadena com 15 dias de antecedência. Cerveró também aceitou convite da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre o negócio e já marcou data para seu depoimento: 16 de abril.

"Os conselheiros tiveram tempo hábil para examinar o contrato. Se não o fizeram, foram no mínimo levianos ou praticaram gestão temerária", disse Ribeiro à Folha.

O advogado do ex-diretor confirmou à Agência Estado para o próximo dia 16 o depoimento de Cerveró na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, em Brasília. "Ele (Cerveró) não se conforma e está indignado de ser colocado como bode expiatório", afirmou Ribeiro.

Na terça-feira (1º), o advogado de Cerveró esteve em Brasília e, no Congresso, entregou uma carta na qual o cliente se coloca à disposição para prestar esclarecimentos. À Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) entregou uma petição de mesmo teor, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos aos inquéritos em aberto.

"Venho informar (...) que estou à disposição da Câmara dos Deputados para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários sobre minha participação, à época, como diretor internacional da aludida estatal, bem como sobre toda a tramitação do processo aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras e, ainda, demais fatos que atestam a lisura do meu procedimento", afirmou Cerveró em carta enviada à comissão da Câmara, lida nesta manhã pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), ao anunciar a data do depoimento do ex-diretor da Petrobrás.

Os deputados devem também ouvir o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no dia 23 deste mês sobre o negócio.

A compra da refinaria de Pasadena, localizada nos EUA, está no centro de uma disputa política entre o governo e a oposição, que quer criar uma CPI para investigar o caso e outras denúncias relacionadas à Petrobras.

A operação de compra foi aprovada pelo conselho em fevereiro de 2006, quando o órgão era presidido por Dilma Rousseff. A compra da refinaria, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, teve o voto favorável de Dilma. Ao todo, a Petrobras pagou US$ 1,2 bilhão, em duas etapas, para comprar uma refinaria que, em 2005, custou US$ 42,5 milhões à Astra Oil - quase 28 vezes menos.

Em nota ao jornal O Estado de S. Paulo, há duas semanas, a presidente Dilma disse que a decisão foi tomada com base num "resumo executivo" com "informações incompletas" e técnica e juridicamente falho. No texto, o resumo era creditado ao "diretor internacional", na época, Cerveró. O diretor deixou a Petrobras em abril de 2012, sendo nomeado para a diretoria da BR Distribuidora.

Após a repercussão negativa do caso, Cerveró foi exonerado da diretoria financeira da BR Distribuidora no dia 21, enquanto passava férias na Europa. De volta ao Brasil, o ex-diretor agora promete abrir a boca. Vem chumbo grosso aí.

Com Estadão Conteúdo