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01/04/2014 20:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

CPIs em ano de Copa e eleições: muito barulho para nada?

Renato Costa/Frame/Estadão Conteúdo

De um lado, a oposição quer a CPI da Petrobras. Do outro, o governo busca apoio para a CPI envolvendo carteis em Estados vitais aos adversários nas eleições de outubro. Há muito discurso, muito grito, mas haverá algum desfecho, seja do lado que for, investigando as suspeitas que forem? Ao que tudo indica, o quadro que se desenha no Congresso Nacional em 2014 é de muito barulho para nada. Essa impressão se justifica após uma breve reflexão.

Dentro de 72 dias, a bola vai rolar na Arena Corinthians para a abertura da Copa do Mundo, período que vai esvaziar a Câmara dos Deputados e o Senado nos meses de junho e julho. Na mesma época vão se desenrolar as convenções partidárias, com a definição de candidaturas e alianças. Nessa altura, é de se supor que investigações de CPIs não serão o foco principal da classe política nacional.

Tampouco deveremos ver indo para sanção presidencial projetos de grande importância para o País, como o Marco Civil da Internet, o novo Código de Processo Civil, ou ainda o Plano Nacional de Educação. Pelo grau de complexidade e interesses envolvidos, esses três temas e outros deverão ficar estacionados enquanto a seleção brasileira busca o hexacampeonato em campo. Mas e quando a Copa acabar? É bom não se animar.

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Nos meses seguintes, entre agosto e outubro, oficialmente o Congresso retoma os trabalhos, mas a realidade é outra: estará instalado o chamado “recesso branco”, período comum para quem acompanha o Legislativo em anos eleitorais, com a busca de votos tomando conta da pauta diária, bem longe do Congresso. No dia 12 de outubro, está marcado o primeiro turno, com o segundo turno acontecendo duas semanas depois onde for necessário.

E as CPIs? Levando em conta que já estamos no mês de abril e nenhuma comissão até o momento foi oficialmente instalada, é pouco provável que investigações profundas e impactantes para o País possam ser feitas a toque de caixa, até a segunda quinzena de maio, quando o Congresso deve esboçar os primeiros sinais de esvaziamento. Com baixo quórum no restante dos meses seguintes, pouco deverá ser votado ou investigado.

Logo, sejam governistas ou opositores, o máximo que os partidos poderão buscar com todo esse barulho é combustível eleitoral para suas respectivas bases. Para o Brasil, parece muito pouco, ainda mais diante dos mais diversos indícios suspeitos, sejam envolvendo a Petrobras, o metrô de São Paulo ou licitações espalhadas pelo País.