NOTÍCIAS
31/03/2014 11:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Ucrânia: Estados Unidos e Rússia discutem crise no país; Medvedev deixa claro o poder russo sobre a Crimeia

AFP via Getty Images
US Secretary of State John Kerry rubs his eye while listening to a question during a news conference at the U.S. Ambassador to France's residence in Paris, on March 30, 2014, following his meeting with Russian Foreign Minister Sergey Lavrov about the situation in Ukraine. US Secretary of State John Kerry on Sunday called for Russia to pull back its forces from the borders of Ukraine, and said any talks on the country's future must include Kiev's leaders. AFP PHOTO / POOL / JACQUELYN MARTIN (Photo credit should read JACQUELYN MARTIN/AFP/Getty Images)

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse na noite do último domingo (30) que ele e o homólogo russo, Sergei Lavrov, discutiram sugestões para resolver a crise na Ucrânia durante quatro horas de reunião em Paris.

Kerry disse em entrevista coletiva que os Estados Unidos deixaram claro que ainda consideram "ilegais e ilegítimas" as ações russas na península da Crimeia.

"Os EUA e a Rússia têm diferenças de opinião sobre os eventos que levaram a este crise, mas ambos reconhecemos a importância de encontrar uma solução diplomática e simultaneamente responder às necessidades do povo ucraniano", disse Kerry.

"Os dois lados fizeram sugestões de maneiras para melhorar a situação de segurança e política dentro e no entorno da Ucrânia", afirmou.

Kerry e Lavrov se encontraram para tentar estabelecer as bases de um acordo com o objetivo de reduzir as tensões sobre a anexação da região ucraniana da Crimeia pela Rússia, enquanto líderes ocidentais consideram impor sanções mais amplas a Moscou que teriam como alvo setores vitais da economia, incluindo a indústria de petróleo e gás.

Os chefes da diplomacia de EUA e Rússia também esperavam agendar um telefonema na sexta-feira entre os presidentes Vladimir Putin e Barack Obama, de acordo com altos funcionários norte-americanos.

Os movimento da Rússia na Crimeia, que se seguiram à destituição em fevereiro do presidente ucraniano pró-Moscou Viktor Yanukovich, provocou o pior confronto Leste-Oeste desde o fim da Guerra Fria há duas décadas.

Controle

O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, ostentou nesta segunda-feira o controle da Rússia sobre a Crimeia ao desembarcar na região recém-anexada e anunciar planos para transformá-la em uma zona econômica especial, apesar da pressão ocidental para que Moscou devolva a península à Ucrânia.

A visita, ocorrida horas após uma reunião entre Rússia e EUA a respeito da Ucrânia, deve irritar Kiev e o Ocidente, que acusam o presidente russo, Vladimir Putin, de se apropriar ilegalmente da Crimeia depois de um referendo em 16 de março.

Logo depois de pousar na principal cidade crimeana, Simferopol, Medvedev fez uma reunião de governo com vários ministros que o acompanhavam, apresentando propostas para estimular a precária economia da região.

"Nosso objetivo é tornar a península atraente para possíveis investidores, para que ela possa gerar renda suficiente para o seu próprio desenvolvimento. Há oportunidades para isso -- levamos tudo em consideração", disse ele na reunião, transmitida pela TV, com bandeiras da Rússia atrás da sua mesa.

"Então decidimos criar uma zona econômica especial aqui. Isso permitirá o uso de regimes tributários e alfandegários especiais na Crimeia, e também minimizará os procedimentos administrativos."

Deixando claro que a Rússia não tem a intenção de devolver a Crimeia, Medvedev apresentou medidas para elevar os salários dos 140 mil funcionários públicos, transformar a região em polo turístico, proteger as ligações energéticas da Rússia com a península e melhorar estradas, ferrovias e aeroportos.