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22/03/2014 10:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Avião desaparecido da Malásia: Satélite da China localiza objeto próximo à área de busca

Associated Press/Defesa Nacional da China

Kuala Lumpur, Malásia (AP ) - Uma imagem de satélite divulgada pela China neste sábado (22) é o mais recente indício de que os destroços do avião da Malaysia Airlines perdido há mais de duas semanas poderia estar em um remoto trecho do Oceano Índico Sul, onde aviões e navios realizam buscas há três dias.

A Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para a Defesa Nacional da China informou em seu site que um satélite chinês transmitiu a imagem de um objeto de 22 metros por 13 metros às 12h de terça-feira (18). O objeto fotografado estaria a cerca de 120 quilômetros ao sul de onde um satélite australiano identificou dois objetos, dois dias antes . O objeto maior era quase tão longo quanto o fotografado pelo satélite chinês detectado .

"A notícia que eu tenho é a de que o embaixador chinês recebeu uma imagem de satélite de um objeto flutuando no corredor sul (do Oceano Índico) e eles enviarão navios para verificar", disse o ministro da Defesa da Malásia, Hishammuddin Hussein, neste sábado.

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A imagem é a última pista na desconcertante busca pelo avião do vôo 370 da Malásia Airlines, que desapareceu das telas de controle de tráfego aéreo em 8 de março sobre o Golfo da Tailândia, com 239 pessoas a bordo.

A descoberta dos dois objetos pelo satélite australiano levou vários países a enviar aviões e navios a um trecho do Oceano Índico a cerca de 2.500 quilômetros a sudoeste da Austrália. Um dos objetos vistos nas imagens de satélite anteriormente foi descrito como tendo 24 metros de comprimento e o outro, 5 metros. Mas três dias de buscas até agora não trouxeram resultados.

Dois aviões militares da China chegaram no sábado em Perth, na Austrália, para participar das buscas junto com aeronaves da Austrália, da Nova Zelândia e dos EUA. Aviões japoneses chegarão no domingo, Navios também se juntam à busca.

Os vôos realizados no sábado em relativamente bom tempo não confirmaram se a última imagem do satélite chinês iria mudar a área de busca a partir de domingo.

Mesmo se os dois satélites detectaram o mesmo objeto, ele pode não estar relacionado ao avião. Uma possibilidade é de que ele poderia ter caído de um navio cargueiro.

Erik van Sebille , oceanógrafo da Universidade de New South Wales, em Sydney, disse que as correntes marítimas na área normalmente se movem cerca de um metro por segundo, embora às vezes possam ser mais rápidas. Com base na velocidade típica, uma corrente poderia, teoricamente, mover um objeto flutuante cerca de 173 quilômetros em dois dias.

Warren Truss, primeiro-ministro em exercício da Austrália, afirmou que a busca completa pode levar um longo tempo. "É uma área muito remota, mas temos a intenção de continuar as buscas até que estejamos absolutamente convencidos de que continuá-las seria inútil - e esse dia não está à vista", disse.

"Se há algo lá para ser encontrado, estou confiante de que este esforço de pesquisa irá localizá-lo", disse Truss de uma base perto de Perth de onde estão partindo os aviões. As aeronaves envolvidas na busca incluem dois jatos comerciais de alcance ultra- longo e quatro P3 Orion, segundo a Autoridade de Segurança Marítima australiana.

Mas porque a área de busca exige um vôo de quatro horas a partir da terra, os Orions podem pesquisar por cerca de apenas duas horas antes de voarem de volta. Os jatos comerciais podem ficar por cinco horas antes de voltar para a base.

Dois navios mercantes que estavam na área e um navio de suprimentos da Marinha também se juntaram à busca.

Os aviões chineses que chegaram em Perth no sábado devem iniciar as buscas no domingo. Uma pequena frota de navios da China também se juntará, assim como um navio de reabastecimento de apoio permitirá que os barcos fiquem na na área por um longo período.

O avião desaparecido tinha 153 chineses entre seus passageiros. Em Pequim, no sábado, parentes dos passageiros protestaram após reunião com funcionários da Malaysia Airlines e do governo da Malásia .

"Vocês não podem ir embora! Queremos saber qual é a realidade!", gritaram, diante da recusa dos funcionários de responder a perguntas.

Autoridades da Malásia não descartam nenhuma explicação para o que aconteceu com o jato, mas disseram que as evidências até agora sugerem que ele foi deliberadamente desviado para o outro lado da Malásia, no Estreito de Malaca, onde o sistema de comunicação teria sido desativado. Eles não têm certeza o que aconteceu em seguida.

A polícia está considerando a possibilidade de seqüestro, sabotagem, terrorismo ou questões relacionadas com a saúde mental dos pilotos ou de outra pessoa a bordo.

A Malásia pediu aos EUA que equipamentos de vigilância submarina ajudem na busca, disse o contra-almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono. O secretário de Defesa norte-americano, Chuck Hagel, prometeu avaliar a disponibilidade desses equipamentos e sua utilidade na pesquisa,. O Pentágono disse que já gastou US$ 2,5 milhões nas buscas.