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21/03/2014 10:14 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Turquia bloqueia Twitter às vésperas de eleições locais

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O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, partiu das palavras para a ação. Como anunciado, a Turquia bloqueou nesta sexta-feira (21) o acesso ao Twitter no país poucos dias antes das eleições locais.

Na quinta-feira, Erdogan já havia ameaçado banir o Twitter e outras redes sociais e disse não se importar com uma reação internacional, em sua mais nova explosão emocional em uma campanha eleitoral cada vez mais amarga.

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"Twitter... Vamos varrer tudo isso do mapa", disse. "A comunidade internacional pode dizer isso ou aquilo. Não me importo. Todos verão quão poderosa é a República da Turquia", disse em seu característico tom inflexível.

Em seguida, o próprio presidente da Turquia, Abdullah Gul, condenou o bloqueio do Twitter e usou a própria rede para expressar sua opinião. "Não estou de acordo com o fechamento total das plataformas sociais", disse, em mais um sinal de distanciamento do governo de Erdogan.

Opressão

Raiva, ameaças e teorias da conspiração marcaram a campanha para as eleições locais de 30 de março. Erdogan enfrenta um escândalo de corrupção que diz ser orquestrado por seus inimigos, e as informações estão sendo vazadas principalmente via Twitter e YouTube. As revelações arranharam a reputação do governo a poucos dias das eleições locais.

A Turquia já baniu o YouTube no passado, mas este é o primeiro bloqueio ao Twitter, que é extremamente popular no país e foi usado para organizar protestos contra o governo no ano passado.

Mas, apesar do bloqueio, alguns usuários conseguiram burlar a medida e tuitar links de gravações nesta sexta. Entre as gravações que estão circulando pelo Twitter está uma em que uma voz parecida com a de Erdogan pede ao filho do premiê que mude o local de uma grande quantidade de dinheiro em meio a uma investigação da polícia. Ergogan, que nega as acusações de corrupção, disse que a gravação foi "fabricada" e faz parte de um golpe da oposição.

A Associação de Advogados da Turquia pediu à Justiça que derrube o bloqueio, argumentando que é inconstitucional e viola as leis europeias de direitos humanos.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Neelie Kroes, criticou a medida, classificando-a como "covarde, sem sentido ou base legal". A Turquia está se esforçando para fazer parte da União Europeia (UE) há algum tempo.

(Com Associated Press e Reuters)