COMPORTAMENTO
21/03/2014 10:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

A luta de uma mãe para mudar a cara da beleza

Para Katie Driscoll, de Palos Park, Illinois (EUA), tudo começou com uma foto.

Quando teve seu sexto bebê, Driscoll, que já era mãe de cinco meninos, ficou feliz por ter sua primeira menina. A notícia de que sua filha tinha a síndrome de Down não diminuiu sua felicidade.

“Eu não queria que as pessoas sentissem pena dela ou de nós. Sentia orgulho de quem ela era”, disse Driscoll ao Huffington Post.

Então ela pegou sua câmera e começou a fazer fotos de sua filhinha, Grace -- fotos que acabariam sendo compartilhadas com o mundo.

As fotos não demoraram a levá-la a criar um blog, e o blog acabou se convertendo numa campanha intitulada Changing the Face of Beauty (Mudando a Cara da Beleza). O objetivo é incentivar empresas a incluir em seus anúncios imagens de pessoas com deficiências.

“Acredito que as imagens são o tipo mais forte de comunicação de que dispomos. O mundo é tão visual -- quando enxergamos alguma coisa, acreditamos nela”, disse Driscoll. “É por isso que a publicidade é tão poderosa.”

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Driscoll com sua filha, Grace.

A campanha de Driscoll começou para valer no outono de 2012, quando um amigo dela, Steve English, perguntou se ela deixaria Grace aparecer no catálogo da linha de roupas “fair-tade” de sua floricultura de Chicago. Menos de dois anos mais tarde, Driscoll já teve vários sucessos.

Ela mergulhou fundo na fotografia, em grande medida como autodidata, e passa o tempo livre de que dispõe mandando e-mails a empresas, pedindo que estudem a possibilidade de incluir indivíduos com deficiências em seus anúncios. Driscoll disse que no passado, seus e-mails com frequência eram ignorados, mas que ultimamente vem recebendo mais respostas, muitas vezes de varejistas indicando que a disparidade nem sequer “estava no radar” delas.

Uma dessas respostas veio no outono passado da linha de roupa infantil Little Maven, da atriz e autora Tori Spelling. O resultado foi um book de visuais para as festas de fim de ano com fotos que incluíram a filha de Driscoll. Esta continua a trabalhar com a Little Maven.

Driscoll também entrou em contato com a rede de moda britânica Boden antes de a empresa lançar, no ano passado, uma campanha publicitária com a participação de uma modelo mirim com paralisia cerebral.

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A filha de Driscoll nas fotos para a coleção de inverno de 2014 da Seam

A recente inclusão na Semana de Moda de Nova York, pela primeira vez, de uma modelo de cadeira de rodas é mais uma prova de que no futuro as deficiências podem deixar de ser um problema no mundo dos modelos e da moda, diz Driscoll.

“Acho que as pessoas estão vendo e ouvindo a reação de nosso mundo e percebendo que isso de fato faz diferença para uma parcela grande da população”, ela comentou.

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Uma das fotografias de Driscoll da sessão de fotos da Seam

Uma de suas parcerias mais recentes é com a Seam, uma linha de roupas com sede em Boston.

A fundadora da Seam, Cindy Estes, disse ao HuffPost que Driscoll a procurou para falar de fotos para sua coleção outono 2014 e que os resultados, uma sessão de fotos com Grace, a filhinha de Driscoll, “foram belíssimos”.

“A base do que ela está fazendo é certíssima”, explicou Estes. “É uma coisa tão certa, uma mensagem tão sincera, que estou emocionada por fazer parte disso e continuo a fazer parte. Quando você vê a alegria no rostinho de Grace nessas fotos, é contagiante.”

Mas, embora a campanha tenha começado com o sorriso contagiante de sua própria filha, Driscoll diz que sua meta ultrapassa de longe sua própria família. Ela chamou a atenção para um estudo recente segundo o qual apenas 44% dos adultos de 21 a 64 anos que têm uma deficiência intelectual fazem parte da força de trabalho, contra 83% dos que não possuem deficiências. Driscoll acha que a percepção que as pessoas têm da deficiência está à raiz dessa disparidade.

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Da sessão de fotos da Seam

Olhando para o futuro, para dentro de 14 anos, quando sua filha estará ingressando na força de trabalho, Driscoll espera que seus esforços tenham conseguido mostrar ao mundo que as pessoas com deficiências são belas, valiosas e capazes de realizar.

“A ideia generalizada é que elas não conseguem fazer as coisas, e isso é decidido antes de elas sequer terem aberto a boca”, disse Driscoll. “Mas, cada vez que uma pessoa é exposta a um indivíduo com uma deficiência, essas barreiras se rompem e essa ideia preconcebida cai por terra.”

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Da sessão de fotos para a coleção outono 2014 da Seam

“Esperemos que os próximos 14 anos proporcionarem às pessoas mais exposição a indivíduos com deficiências, mostrando a elas que esses indivíduos são capazes de fazer as coisas. Deixem pelo menos que eles abram a boca e provem do que são capazes.”