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16/03/2014 16:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Maioria na Crimeia vota a favor de anexação à Rússia

REUTERS/Thomas Peter

Uma apuração completa preliminar dos votos mostrou que 96,77 por cento dos eleitores na região ucraniana da Crimeia votaram a favor da adesão à Rússia, disse nesta segunda-feira (17) o presidente da comissão do governo regional responsável por supervisionar o referendo, Mikhail Malyshev. O parlamento regional da Crimeia, então, proclamou a península como um estado independente.

Em seguida, nesta segunda, o Parlamento da Crimeia pediu oficialmente para se tornar parte da Rússia. O Parlamento "fez uma proposta à Federação Russa para admitir a República da Crimeia como novo integrante com o status de república", informou a Casa em comunicado em sua página na Internet.

A votação dos parlamentares ocorreu após o anúncio final do referendo. Eles também decidiram nacionalizar todas as propriedades estatais da Ucrânia em território crimeniano.

A eleição não foi reconhecida pelos países ocidentais. Os Estados Unidos e a União Europeia estão preparando sanções econômicas contra a Rússia, que ocupou a Crimeia nas últimas semanas.

As autoridades da Crimeia disseram que o comparecimento as urnas foi alto e podia-se ouvir música da era soviética em alguns dos locais de votação. Os Estados Unidos continuam criticando a votação, mesmo antes do resultado oficial, que deve ser conhecido amanhã. A Casa Branca disse no domingo que o referendo para unificação da região à Rússia contradiz a constituição da Ucrânia e que não reconhecerá o resultado do referendo. O referendo ocorrem em meio a "ameaça de violência e intimidação do exército russo, o que viola a lei internacional", diz a Casa Branca. O presidente da Comissão Europeia - braço executivo da União Europeia - José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, divulgaram neste domingo um comunicado no qual afirmam que o referendo sobre a anexação da Crimeia à Rússia é ilegal e não terá seu resultado reconhecido pelo bloco.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve falar ao parlamento russo na terça-feira. Putin disse ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o referendo para a união da Crimeia com a Rússia neste domingo era legítimo e manifestou preocupação com o fracasso de Kiev para acabar com a violência contra os falantes de russo na Ucrânia.

"Vladimir Vladimirovich Putin chamou atenção para a incapacidade e falta de vontade das autoridades presentes em Kiev para coibir a violência desenfreada por grupos ultra-nacionalistas e radicais que desestabilizam a situação e aterrorizam civis, incluindo a população de língua russa", disse o Kremlin.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)