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12/03/2014 08:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Crise PT x PMDB se agrava: ao invés de solução, líder do "blocão" prega derrota do Marco Civil

ANDRE DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

A terça-feira (11) fez do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) o único vencedor na crise entre PT e PMDB, a qual se agrava a cada dia que passa no Congresso Nacional. Isolado da reunião entre a presidente Dilma Rousseff e a cúpula peemedebista na segunda-feira (10), o líder do “blocão” – formado por seis legendas da base aliada (PMDB, PP, Pros, PR, PTB, PSC) e por uma da oposição, Solidariedade (SDD) – ganhou apoio total da bancada do PMDB menos de 24 horas depois. Antes de falar em caminhos para o fim da crise, Cunha quer mais. Má notícia para o Palácio do Planalto.

“Nós queremos votar amanhã [quarta-feira] e vamos votar para derrotar”, disse Cunha a respeito da votação em Plenário do Marco Civil da Internet, matéria que se arrasta há semanas e tranca a pauta de trabalhos da Câmara. No mesmo dia em que ajudou na aprovação para a criação de uma comissão externa que vai investigar as suspeitas de corrupção na Petrobras, a bancada peemedebista fechou posição e votará contra o marco civil, caso a matéria seja levada à votação nesta quarta-feira (12).

O entusiasmo em mostrar força na liderança dos deputados “rebeldes” dentro do bloco governista não é o mesmo quando Cunha aborda um possível fim para a crise, que já dura semanas e gira em torno de uma maior presença ministerial do PMDB no governo Dilma, além da liberação de emendas constitucionais para os parlamentares, fato que teria sido acordado anteriormente e que estaria sendo descumprido hoje pelo governo.

“O que existe é uma insatisfação generalizada sobre o processo hegemônico feito pelo PT, que avança prejudicando as bancadas de partidos aliados, notadamente o PMDB”, disse Cunha, em declarações reproduzidas pela Reuters. “Não posso afirmar que tem solução. Qualquer solução que eu colocasse aqui seria ilusória”, completou o líder peemedebista. Para ele, a base governista terá de negociar mais se quiser pôr fim à crise.

Foi sintomática a postura do governo federal em não votar o Marco Civil da Internet nesta terça-feira, mesmo “tendo os votos necessários”, segundo garantiu o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). O que foi chamado de “falta de clima” pelos governistas agora pode significar uma série de caminhos perigosos ao polêmico projeto: colocar para votação e arriscar uma derrota, continuar as negociações e manter a pauta trancada, ou retirar o projeto? Nem mesmo o presidente em exercício Michel Temer, que teve um encontro com Cunha na manhã desta terça-feira, parece ter a melhor saída para o impasse.

'Erro estratégico' do Planalto

O descontentamento na Câmara parece não ser tão alardeado no Senado. Lá, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) trabalha para que a aliança entre PMDB e PT para as eleições de outubro chegue a pelo menos 14 Estados. “Esta semana discutimos a ampliação das alianças com o PT nos estados de Alagoas, Goiás, Paraíba, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rondônia e Tocantins”, comentou. Enquanto isso, a oposição acompanha e tira uma “casquinha” quando pode. Foi o caso do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

“Essa crise não se improvisa. É o resultado de um método de fazer política, de um partido (PT) que trata seus aliados como as cozinheiras de antigamente tratavam as galinhas: depenando-as antes de colocá-las na panela (...). É como se a autoridade política da presidente da República estivesse diminuída por aquela sombra gigantesca que, a pretexto de protegê-la, a tutela: a sombra do ex-presidente Lula”, criticou.

O acirramento da crise pode vir ainda com os mais de 20 pedidos de convocação de ministros do governo Dilma para prestarem esclarecimentos aos deputados federais. É o caso de requerimentos ao ministro da Saúde, Arthur Chioro, para falar sobre o Mais Médicos.

No que diz respeito ao “blocão”, todas as armas possíveis estão sendo utilizadas. Em sua defesa, Eduardo Cunha afirma que tudo é apenas uma expressão da vontade da bancada do PMDB.

Rumo aos próximos capítulos da “novela” que a crise já se tornou, ele deixa uma dica ao governo: “É bom deixar claro que só expresso e só expressarei o que a bancada pensa e decide. Logo, tentar me isolar é isolar a bancada do PMDB. Isso é um erro estratégico.”