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11/03/2014 15:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Copa do Mundo: em entrevista, Blatter projeta reeleição na Fifa e diz que final não deve ter europeus

Stuart Franklin - FIFA via Getty Images
ZURICH, SWITZERLAND - JANUARY 13: FIFA President Joseph S. Blatter talks on stage during the FIFA Ballon d'Or Gala 2013 at the Kongresshaus on January 13, 2014 in Zurich, Switzerland. (Photo by Stuart Franklin - FIFA/FIFA via Getty Images)

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, acha “muito difícil” uma seleção europeia disputar a final na Copa do Mundo do Brasil este ano.

“Será muito difícil que os europeus consigam essa vitória na América do Sul, no Brasil”, disse Blatter em entrevista com a agência DPA, de Berlim, em que revelou que ele e a presidente Dilma Rousseff não farão discursos na abertura da Copa, para evitar a possibilidade de vaias. Blatter também deu a entender que em 2015, quando terá 79 anos, vai lutar por um quinto mandato na presidência da Fifa. Leia abaixo a entrevista completa realizada em Berlim nesta terça-feira.

DPA: Faltando três meses para a Copa, vários estádios ainda não estão prontos. É grande sua preocupação?

Blatter: A questão dos estádios vai dar certo. Esta não é minha primeira Copa. No final, todos os estádios vão ficar prontos. Houve alguns retrocessos, como o estádio de São Paulo, devido ao acidente. Mas de modo geral tenho que dizer que os brasileiros estão preparados para levar a Copa adiante.

DPA: O senhor teme que protestos maciços prejudiquem a imagem da Copa e da Fifa, como aconteceu com a Copa das Confederações?

Blatter: O Brasil tem 200 milhões de amantes do futebol, e eles vão receber a Copa como tais. É claro que o desempenho da seleção brasileira também vai influir, mas estou convencido de que será uma Copa boa, que será um Mundial muito bom, no que diz respeito ao futebol. Esperamos que o Mundial contribua para apaziguar esses protestos sociais que vivemos na Copa das Confederações.

DPA: Na inauguração da Copa das Confederações, tanto o senhor quanto a presidente brasileira foram vaiados sem dó. O sr. já sabe o que fará diante de uma situação semelhante?

Blatter: Não se sabe o que pode acontecer, e eu não sou nenhum profeta. Estou convencido de que no Brasil os protestos sociais já não vão poder apelar aos mesmos argumentos que na Copa das Confederações, porque não são válidos. Já é muito tarde para dizer que não se deve fazer a Copa do Mundo. Estou convencido de que a situação se acalmou. Vamos fazer a cerimônia de abertura de modo que não haja discursos.

DPA: Nunca na história uma seleção da Europa conseguiu ser campeã jogando na América. Esta vez pode ser diferente?

Blatter: Os sul-americanos querem ganhar, naturalmente. Não me refiro apenas à Argentina e ao Brasil, mas também ao Chile e ao Uruguai. E a Colômbia também tem uma seleção muito forte. Todos querem evitar que a Europa ganhe pela primeira vez. Vai ser muito difícil que os europeus conquistem essa vitória na América do Sul, no Brasil. Na Europa, é preciso falar de um tridente composto pela Espanha, Alemanha e Itália. Apenas duas seleções podem chegar à final, e será muito difícil para os europeus chegar lá. Vai ser emocionante até o final.

DPA: O senhor quer ser presidente da Fifa pelo quinto mandato consecutivo. Que impulso poderá dar ao futebol mundial?

Blatter: Queremos aprofundar o compromisso sociocultural e com nossa sociedade. Nós o faremos com diversas atividades, em especial com um grande programa de saúde para os jovens, levando o futebol às escolas e levando disciplina, fair-play e respeito para a sociedade.

DPA: O Mundial de Qatar continua a ser alvo de críticas. É imaginável que o congresso da Fifa vote em relação a decisões já tomadas?

Blatter: Será o congresso da Fifa que decidirá o futuro das sedes dos Mundiais, e eu vou pedir ao congresso que leve em conta também a situação cultural, social e a dos direitos humanos.

DPA: Isso significa que não será feito nada nem no caso do Qatar 2022 nem no da Rússia, que enfrenta críticas pelos fatos recentes na Ucrânia, em 2018?

Blatter: Não podemos modificar o que já está previsto quanto às Copas do Mundo. Vamos jogar a Copa de 2014 (no Brasil), com a Copa da Rússia em 2018 não temos nenhum problema por enquanto, e os problemas com o Qatar são conhecidos. Com todos os envolvidos, tentamos encontrar uma solução que leve em conta o patrimônio sociocultural dos trabalhadores.

DPA: Jerome Champagne, seu ex-secretário-geral adjunto, é candidato à presidência da Fifa. Muitos acreditam que exista um acordo entre ele e o senhor para prejudicar as chances de Michel Platini. Champagne é seu rival ou seu aliado?

Blatter: Meu rival. Quem diz que ele é meu aliado se equivoca. Ele é um rival, um rival.