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07/03/2014 21:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Ucrânia participa dos Jogos Paralímpicos de Sochi e faz protesto velado na abertura; Brasil estreia nos Jogos

Alexander Mianchuk/Reuters

A cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno, nesta sexta-feira em Sochi, na Rússia, contou com uma cena que fez com que todos os presentes aplaudissem de pé: a delegação da Ucrânia, que decidiu participar dos jogos, enviou apenas um de seus participantes com uma bandeira para representar o país na abertura -- e fazer um protesto velado, pedindo paz. O presidente da Rússia, Vladimir Putin estava presente na cerimônia de abertura.

O principal dirigente paralímpico da Ucrânia, Valeriy Sushkevich, advertiu, entretanto, nesta sexta que sua equipe pode abandonar os Jogos Paralímpicos de Inverno se a Rússia invadir o país, mas disse esperar que a competição seja capaz de difundir a paz.

A Rússia realiza os Jogos em Sochi, um balneário do mar Negro a poucas centenas de quilômetros da península ucraniana da Crimeia -- onde o Ocidente acusa Moscou de ter violado a soberania de Kiev, assumindo o controle de instituições militares e governamentais.

Moscou diz que os homens armados presentes na Crimeia são integrantes de unidades locais de autodefesa. A Crimeia é a única região da Ucrânia onde a etnia russa é majoritária. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se diz no direito de enviar tropas para proteger seus compatriotas, mas afirma que por enquanto isso não é necessário.

"Se houver uma escalada no conflito, a intervenção no território do nosso país, Deus nos livre do pior, não poderemos permanecer aqui, iríamos embora", disse Sushkevich em entrevista coletiva.

Muitos países cancelaram os planos de enviar ministros e membros da nobreza para os Jogos de Sochi em decorrência dos acontecimentos na Crimeia, cujo Parlamento regional aprovou nesta semana a incorporação da península à Rússia, a ser confirmada em referendo no dia 16.

Sushkevich disse ter mantido uma conversa "calma e reservada" com Putin.

"Repeti minha única solicitação, a única e mais importante solicitação, de que antes e durante (os Jogos) haja paz", disse ele, acrescentando que o líder russo respondeu que pensaria a respeito.

"A equipe ucraniana, além de torcer por bons resultados, chegou com esperanças colossais de paz, paz no nosso país, na Europa, no mundo. Tenho certeza de que... a maioria está ciente do colossal perigo para a paz e para os direitos de todas as pessoas terem paz na atual situação."

Putin disse em entrevista coletiva na terça-feira que qualquer boicote à Paralimpíada por causa da Ucrânia seria "o cúmulo do cinismo".

No Twitter, muitas manifestações de

"Na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Sochi, centenas de jovens bailarinas sorrindo... Não parece que eles estão oprimindo ou invadindo a Ucrânia?"

"Que vergonha que os Jogos Paralímpicos serão ofuscados pelos acontecimentos na Ucrânia. Muitas pessoas treinaram muito para agora se tornar um show menor"

"Ucrânia representada nos Jogos Paralímpicos"

"Porta-bandeira da Ucrânia se apresentou sozinho na cerimônia. O resto da delegação ficou distante. Protesto inteligente e efetivo"

"Triste que os Jogos Paralímpicos de Sochi serão ofuscados pela invasão do país-sede na Ucrânia"

Participação brasileira

Três nações estrearam nos Jogos de Inverno: Brasil, Turquia e Uzbequistão. A delegação brasileira, com dois atletas, foi a nona a desfilar. Fernando Aranha, do esqui-cross country, e Andre Cintra, porta-bandeira e atleta do snowboard, são os representantes do país nos primeiros Jogos de Inverno Paralímpicos da história do Brasil.

com Reuters