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06/03/2014 10:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:13 -02

Homofobia no Brasil: o ódio pela diferença matou Alex

alex


Homofobia é o preconceito, discriminação ou a violência contra pessoas por causa da orientação sexual ou da identidade de gênero presumida. A definição consta de relatórios da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Por identidade de gênero presumida, entendem-se expressões como "jeito de gay", "coisa de menina" ou "modos de macho" – os comportamentos que a sociedade convencionou como apropriados para cada gênero. Não é possível saber se Alex, o menino de oito anos morto após ser seguidamente espancado pelo pai, era gay. Mas não há dúvidas de que ele tenha sido vítima de homofobia.

A reportagem do jornal O Globo sobre o caso, publicada na quarta-feira (5), conta que o pai de Alex não admitia que o menino gostasse de dança do ventre e de lavar louça. Segundo a repórter Maria Elisa Alves, que ouviu familiares e vizinhos do menino no Rio de Janeiro, o pequeno era surrado por Alex André, que assim tentava "ensiná-lo a andar como homem".

À polícia, o pai criminoso disse que não teve intenção de matar Alex. Porém, reafirmou que o filho "tinha que ser homem". A repórter do Globo descobriu outros relatos do ódio que Alex André nutria pelo que considerava "coisa de homossexual". Por isso, ele quase surrou outro filho dele, mais velho, mas acabou detido pelo tio do adolescente.

A tragédia de Alex sensibilizou milhares de internautas e está sendo debatida por todos que ficaram chocados com tamanha brutalidade. Arrasada, a mãe, Digna Medeiros, luta por uma punição exemplar ao ex-companheiro que matou o filho.




Amigos de Digna Medeiros, de Mossoró (RN), se uniram em uma corrente de solidariedade à mãe.



O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor dos direitos LGBT, fez um desabafo emocionado na quarta-feira (5) à noite sobre a morte de Alex. O parlamentar compartilha opinião de que os hematomas da homofobia ainda são regra na sociedade brasileira. "Eu e outros poucos que escapamos dos destinos imperfeitos ainda somos exceções. A regra é ser expulso de casa ou fugir como meio de sobreviver… É descer ao inferno da exclusão social e da falta de oportunidades… Ou ter o futuro abortado pela violência doméstica, como aconteceu com o pequeno Alex...", opinou.



A decisão de tornar homofobia um crime, assim como é o racismo, está a cargo do Congresso Nacional. No fim do ano passado, o Senado aprovou que projeto de criminalização da homofobia tramite em conjunto com o novo Código Penal. O movimento gay promete manter a batalha para que os parlamentares não fechem os olhos ao problema. E, assim, tragédias como as de Alex podem ser prevenidas ou, ao menos, duramente punidas.

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